Feita recentemente.
O Jethro Tull já esteve no Brasil diversas vezes, mas agora a banda traz na bagagem um show batizado de Acoustic/Electric Tull Concerts. Poderia dar mais detalhes sobre este espetáculo e dizer no que ele difere dos demais já apresentados aqui?
Digo que esta é uma turnê acústica e elétrica porque a banda vem se revezando entre duas turnês, uma totalmente acústica e uma elétrica e acústica. É esta última que estamos levando ao Brasil e que, na verdade, é o que fazemos desde 1969, ou seja, mesclar canções acústicas e elétricas. Não gosto de rotular nosso show como acústico e nem como um show de rock, porque o Jethro Tull não é uma banda de rock, como são Iron Maiden ou Motörhead. Nós usamos instrumentos acústicos e eu sempre fui um músico acústico. Batizamos a turnê desta maneira, porque é a melhor definição que encontramos, afinal de contas, tocamos canções acústicas, algumas totalmente totalmente elétricas e outras que misturam ambas as coisas.
Programe-se
E quanto ao repertório do show? O que a banda está planejando?
O repertório será especialmente formado por canções clássicas como “Aqualang”, “Locomotive Breath”, “Thick as a Brick” e “Budapest”; outras mais obscuras que também fazem parte da nossa extensa discografia; possivelmente duas canções inéditas; além de composições de outros artistas. Como sempre, tentamos montar um repertório que não fique preso apenas aos nossos grandes hits, pois isso seria muito chato para nós, então também tentamos mostrar um lado mais obscuro do nosso trabalho. Até porque muita gente já assitiu a um show do Jethro Tull e não queremos que elas vejam sempre a mesma coisa. É possível dizer que este show é no mínimo 67% diferente do que o show passado que apresentamos no Brasil.
E quanto ao público da banda, que todos sabem ser bastante fiel, seria possível afirmar que pelo menos 90% das pessoas que vão aos shows do Jethro Tull no Brasil nesta turnê são as mesmas que estiveram presentes em outras ocasiões em que grupo passou pelo país?
Acho que 90% é muita coisa. Talvez uns 70%, porque há muitas pessoas na platéia que estão assistindo ao primeiro show do Jethro Tull de suas vidas. Para estas, tocamos nossas músicas mais famosas. Para as que já tiveram a oportunidade de conferir o show desta turnê em outras ocasiões, fazemos algo diferente. Tentamos sempre manter em mente que há pessoas diferentes na platéia todos os dias, então tentamos apresentar um show interessante para todas elas. Meu compromisso é fazer com que todos sintam-se levemente desconfortáveis (risos).
O que você quer dizer com isso exatamente? Desconfortáveis em que sentido?
Acho que o Jethro Tull seria muito mais conhecido se fôssemos uma banda de rock pesado. Se ainda hoje tocássemos como na época das turnês de Aqualung (1971) e Thick as a Brick (1972) seria como uma “quick fix” (dose mínima para atingir o efeito de uma certa droga), como uma picada de heroína ou uma carreira de cocaína, seria como uma forte dose de uma droga poderosa. Mas eu não me interesso por drogas de nenhum tipo. O que quero dizer, é que minha música é desafiadora em certos termos. Quando digo que meu objetivo é deixar as pessoas levemente desconfortáveis, é a mais pura verdade. Eu gosto da tensão que consigo criar no público com algo estranho ou pouco familiar. Acho necessária a existência dos elementos de confusão e dúvida que surgem nas pessoas diante de algo que elas não têm certeza se gostam ou não. E nós temos apenas alguns minutos para tentar convecê-las de que sim, elas poderão gostar daquilo, se ao menos experimentarem. Não gostaria de ser parte daquele tipo de banda que simplesmente entrega a mercadoria na porta do freguês sabendo que ele mesmo poderia ter comprado tudo se tivesse ido ao supermercado. Eu não quero ser como um entregador de mercearia, que vai até a sua casa entregar exatamente o que você deseja comer todos os dias. Quero poder entregar algo que a pessoa nunca tenha comido antes, e que talvez até tenha uma sabor esquisito, mas de que ela talvez goste. É importante experimentar novos ingredientes quando você se senta numa mesa para jantar, assim como quando você se senta num auditório para assistir a um concerto musical.
Acha então que o experimentalismo presente na sonoridade do Jethro Tull pode ser um dos fatores que atraem novas gerações a mergulhar no universo da banda?
Acho que as pessoas mais jovens vêm aos nossos shows principalmente porque é o tipo de música que seus pais passaram a vida ouvindo. Se você vai a um show dos Rolling Stones, com certeza não é porque está interessado nas canções do álbum mais recente deles. Você quer mesmo é conferir ao vivo os clássicos dos anos 60, talvez alguns dos anos 70, mas algo além disso, esqueça. Ninguém é a fim de ouvir o que eles fizeram a partir dos anos 80 e acho que esse é o maior problema deles. Mas desde o começo, em 1969, eu sempre busquei me aventurar cada vez mais musicalmente e, talvez por isso, nossos fãs estejam mais acostumados com o fato de o Jethro Tull fazer algo de mais mérito. Os mais novos querem ver qual é o encanto que a nossa música produz, desejam tentar descobrir e entender o porquê de seus pais gostarem mais das nossas canções do que de “Stairway to Heaven” (risos).
A banda está trabalhando em um novo álbum certo? Em que estágio está sua realização e quando pretendem lançá-lo?
Temos cerca de oito canções prontas, mas só vamos voltar ao estúdio em setembro, quando pararmos de viajar. Então, acredito que o novo álbum deve ficar pronto apenas no final do ano, com lançamento previsto para o início de 2008. Acham que conseguem esperar tanto tempo? (risos)
Seu interesse em instrumentos variados e músicas de diferentes culturas são beneficiados pelo fato de estar constantemente viajando pelo mundo? Aproveita as turnês da banda para conhecer novos artistas de países diferentes, que possam agregar algo a mais à sonoridade do Jethro Tull?
Sempre que viajamos recebo CDs de pessoas que vão aos nossos shows, escuto algo que está tocando nos elevadores ou vazando pela janela de algum carro. Dia desses recebi um CD de um músico brasileiro e fiquei bastante interessado em ouvir, pois ele era um flautista. Mas acabei ficando bastante decepcionado, pois além de não ser nada diferente do que eu já havia ouvido, percebi que ele tentava emular a minha maneira de tocar. Mas este não é um problema exclusivamente brasileiro. Por todos os lugares que passo recebo álbuns de bandas novas que não passam de imitações. A garotada de hoje assiste a muita MTV e acha que não há nada de errado em simplesmente copiar o que anda sendo feito em outros países. Não vejo nada de errado em aproveitar elementos musicais de outras culturas, mas desde que seja algo que sirva para intensificar a música que já se faz, e não para simplesmente reproduzi-la com a pretensão de soar original.
Nesse sentido, podemos dizer que há algo de brasileiro em sua formação musical?
Sim, é perfeitamente correto fazer esta afirmação, mas não em relação ao rock contemporâneo que é produzido aí, e sim ao jazz e à música clássica brasileira. Pode parecer estranho, mas mesmo quando adolescente eu nunca gostei de ouvir rock. Sempre gostei mais de jazz, música clássica e principalmente folk. Todos os dias ouço rock, de bateria estridente e guitarras altas, durante duas horas, que é o tempo em que estou no palco. Fora dele, procuro fugir de instrumentos em volumes intensos e ouço coisas completamente diferentes do que acabei de tocar para acalmar os ânimos após os shows.
Blog para os admiradores de rock e musica de qualidade em geral. Serão postados discos de bandas, artistas solo dos mais variados estilos como rock progressivo, hard rock, blues, jazz, pop rock, aor rock, disco 70s, punk, new wave e tecnopop. Comentários são muito bem vindos. Esse blog não publicara links de albuns oficiais, mas talvez publicará links de albuns "bootlegs". Bom divertimento e um abraço a todos !!!
sábado, 18 de junho de 2011
Entrevista com Bruce Springsteen.
Feita recentemente.
Bom dia, Mr. Springsteen
É uma honra poder entrevistá-lo
De onde vem sua influência musical?
Olá garota...
... Bem, toda minha influência musical e tudo o que procuro fazer “ao vivo” vem da Soul Music
Essa idéia intrínseca de tentar alcançar os tons mais altos e conseguir fazê-lo vem dessa influência
Mas também considero que todos os artistas que vieram antes de mim deixaram uma espécie de “mapa” que eu pude ler, decifrar e descobrir o tesouro que é fazer, tocar e gravar canções populares
Como é transmitir toda aquela energia nos palcos?
A intensidade entre artista e platéia nos torna um só espírito
Isso mexe com minhas recônditas entranhas
E me faz ser quem eu sou...
... Me considero um artista da massa proletária
Mr. Springsteen, os seus shows são longos, extremamente longos…
... Quando você e sua banda entram no palco sabem exatamente quanto tempo durará a apresentação?
Sou um “trabalhador de palco” e como tal trabalho em longos turnos
Por isso um show meu nunca tem menos de três horas, normalmente duram quatro horas
Já tocamos por seis horas seguidas e aí a banda arriou e encerramos extasiados e fadigados
Tive câimbras nos dedos por uns dois dias e isso foi muito gratificante
Fale um pouco sobre sua vida cotidiana...
Você está entrevistando uma pessoa que ama a música a tal ponto de dedicar sua vida a ela
Para mim é muito importante sentir a música em sua totalidade
Se expressar de maneira sincera e confessional
Também sou muito ligado à minha família e em assuntos políticos, mas não quero falar sobre isso
Qual o álbum que mais gostou de fazer, Mr. Springsteen?
O álbum “Nebraska” é como um marco na minha carreira
Ele é totalmente confessional
Sei, aquele grito em “State Trooper” foi algo transcendental, Mr. Springsteen
Foi como um choro, garota!
Só que expressado com muita convicção
Naquele “take” minha auto-estima estava elevada!
Também gostei do reconhecimento que o álbum “Born to run” conquistou
Muito bom Mr. Springsteen!
Para terminar, deixe uma mensagem para os leitores e fãs
Bem, o que posso dizer?
É... Independentemente da nacionalidade, todos devem ser patriotas
É isso que faz um território grande ou pequeno, pobre ou rico se tornar uma enorme e verdadeira nação
E fiquem atentos sobre o que os políticos fazem em relação aos assuntos de interesse público
O povo deve ser muito participativo nessas questões
Obrigado Mr. Springsteen
Adeus garota...
... Estou partindo para Freehold
Vou encontrar velhos amigos ainda hoje
Bom dia, Mr. Springsteen
É uma honra poder entrevistá-lo
De onde vem sua influência musical?
Olá garota...
... Bem, toda minha influência musical e tudo o que procuro fazer “ao vivo” vem da Soul Music
Essa idéia intrínseca de tentar alcançar os tons mais altos e conseguir fazê-lo vem dessa influência
Mas também considero que todos os artistas que vieram antes de mim deixaram uma espécie de “mapa” que eu pude ler, decifrar e descobrir o tesouro que é fazer, tocar e gravar canções populares
Como é transmitir toda aquela energia nos palcos?
A intensidade entre artista e platéia nos torna um só espírito
Isso mexe com minhas recônditas entranhas
E me faz ser quem eu sou...
... Me considero um artista da massa proletária
Mr. Springsteen, os seus shows são longos, extremamente longos…
... Quando você e sua banda entram no palco sabem exatamente quanto tempo durará a apresentação?
Sou um “trabalhador de palco” e como tal trabalho em longos turnos
Por isso um show meu nunca tem menos de três horas, normalmente duram quatro horas
Já tocamos por seis horas seguidas e aí a banda arriou e encerramos extasiados e fadigados
Tive câimbras nos dedos por uns dois dias e isso foi muito gratificante
Fale um pouco sobre sua vida cotidiana...
Você está entrevistando uma pessoa que ama a música a tal ponto de dedicar sua vida a ela
Para mim é muito importante sentir a música em sua totalidade
Se expressar de maneira sincera e confessional
Também sou muito ligado à minha família e em assuntos políticos, mas não quero falar sobre isso
Qual o álbum que mais gostou de fazer, Mr. Springsteen?
O álbum “Nebraska” é como um marco na minha carreira
Ele é totalmente confessional
Sei, aquele grito em “State Trooper” foi algo transcendental, Mr. Springsteen
Foi como um choro, garota!
Só que expressado com muita convicção
Naquele “take” minha auto-estima estava elevada!
Também gostei do reconhecimento que o álbum “Born to run” conquistou
Muito bom Mr. Springsteen!
Para terminar, deixe uma mensagem para os leitores e fãs
Bem, o que posso dizer?
É... Independentemente da nacionalidade, todos devem ser patriotas
É isso que faz um território grande ou pequeno, pobre ou rico se tornar uma enorme e verdadeira nação
E fiquem atentos sobre o que os políticos fazem em relação aos assuntos de interesse público
O povo deve ser muito participativo nessas questões
Obrigado Mr. Springsteen
Adeus garota...
... Estou partindo para Freehold
Vou encontrar velhos amigos ainda hoje
Entrevista com Angus Young.
Feita em torno de 2 ou 3 anos atrás.
Paul Cashmere: Vocês sempre tiveram fama de encrenqueiros. Vocês são dignos dessa má fama?
Angus Young: Eu sempre disse que o AC/DC nunca procurou encrenca. Ela vem até nós. Eu não acho que somos encrenqueiros. Certa vez um entrevistador Alemão perguntou para Malcolm "Aqui está uma TV, você quer jogar-la pela janela?" e Malcolm respondeu "Não, só quero levar ela pra casa".
Paul Cashmere: A ironia sobre a imagem de encrenqueiros é que realmente são todos homens de família e casados.
Angus Young: Durante as duas horas que eu subo no palco, e me torno o "School Boy". Mas logo que o show termina, eu saio do palco e vou pra casa. Eu nem sequer passo pela porta da frente, se eu chegar em casa com os chifres em minha cabeça. Podem pra eu limpar os pés antes de voltar pra casa.
Paul Cashmere: Então a Sra. Young não se veste de "School Girl" para agradar você?
Angus Young: (risos) Eu quero.
Paul Cashmere: Eu li que você se da muito bem com pintura, que faz uma série de paisagens.
Angus Young: É verdade. Sempre tive interesse em muitas coisas. Peguei uma vez um pincel e disse que ia pintar a parede um pouco.
Paul Cashmere: Que tipo de estilo de vida tem a fama e o conforto criado?
Angus Young: Sempre fui uma pessoa ligada às coisas simples. Nunca me interessei por uma vida sobre flashs. Acho que todos do AC/DC pensam o mesmo. Acho que é por isso que nos destacamos como somos. Somos só uma banda. Acho que se você pedisse pra alguém descrever um guitarrista de rock, eles não imaginariam alguém como eu, com os shorts e naipe de estudante. Acho que sempre fomos diferentes do resto.
Paul Cashmere: E sobre os bens materiais?
Angus Young: Bens materiais? Eu nunca fui um grande amante da vida sobre flashs, como ter uma casa enorme com uma piscina grande e um casal de crianças em cada braço. A coisa sobre os casais, talvez.
Paul Cashmere: Então você ainda mantém estilo de vida da época das Holden Panel-Van?
Angus Young: Muitas pessoas riem de como somos como cidadãos. Vou para os shows do AC/DC e ando junto com a multidão. Mas raramente me encontram. Estão sempre procurando pelo cara com o uniforme de estudante.
Paul Cashmere: Você se vê competitivo com as bandas mais jovens?
Angus Young: Não realmente. Tocamos rock, vimos o rock, fizemos muita coisa. Tanto para nós, há sempre uma banda nova lá fora, essa coisa de novidade do ano.
AC/DC é AC/DC, e aquilo que os outros caras tem feito, nunca incomodou a gente. Nunca tivemos que entrar em uma competição. Eles sempre esperam que a gente esteja no número um da coisa e sempre falo que quando você chegar ao número um, só há um caminho a percorrer, e é pra baixo. Nós preferimos ser o Top 5 por 20 anos.
Paul Cashmere: Lá atrás competíamos com Sherbet e Skyhooks.
Angus Young: Sempre tem alguém dizendo que estamos embalados por algum estilo, mas com o AC/DC isso é diferente, sempre nos vimos como uma banda de Rock and Roll. A partir do momento em que começamos a banda, sempre foi uma honra pra nós, poder motivar alguém a separar parte de seu dinheiro soado e ir até uma loja e comprar o nosso disco.
Paul Cashmere: É muito desgastante um show ao vivo?
Angus Young: Pode ter intervalos. Quando fazemos uma turnê por 18 meses, no final desses 18 meses, você fica bem judiado. Coloque desta forma, você parecerá com alguém que precise de uma boa alimentação.
Paul Cashmere: Angus, você sempre pareceu como alguém que precisasse de uma boa alimentação de qualquer forma.
Angus Young: (risos)
Paul Cashmere: O barulho de seus shows afetou sua audição?
Angus Young: Isso é outra coisa com que eu nunca tive problema. Um bom motivo pra isso é eu ficar correndo pra lá e pra cá o tempo todo.
Paul Cashmere: Você ainda é um seguidor da música australiana?
Angus Young: Sim, quando eu estou lá. Quando vou pra Austrália faço um levantamento sobre o que está rolando. Mas muitas pessoas ainda estão por lá desde quando começamos. Jimmy Barnes ainda agita com suas músicas. Muito da velha guarda ainda existe, mas há muitas coisas novas aparecendo.
Paul Cashmere: O que você escuta quando está em casa?
Angus Young: Eu tenho uma pequena coleção de discos. Eu vou a uma loja de discos e compro um álbum, mas o problema é que eu já tenho. Tenho 8 cópias de Muddy Waters e 4 cópias de um álbum BB King.
Paul Cashmere: Vocês ainda se consideram uma banda australiana?
Angus Young: Claro, foi lá que começamos e de onde somos reconhecidos como "Vindo de". Para nós, com certeza é onde estão as nossas raízes. Se não fosse pela a Austrália não estaríamos aqui.
Paul Cashmere: É engraçado, várias vezes os americanos elogiam sotaque "australiano" de Brian.
Angus Young: Eu acho que eles estão tentando descobrir de onde ele é. Brian tem um sotaque muito forte e eu acho que eles pensam isso porque o sotaque dele não se parece com o de seu país, e por isso ele deve ser australiano.
Paul Cashmere: Vocês vivem em várias partes do planeta. Como se manter em contato?
Angus Young: Da mesma maneira que eu estou falando com você agora.
Paul Cashmere: A banda faz ensaios pelo telefone, ei.
Angus Young: (risos) Sim.
Paul Cashmere: Vocês vão pra lugares diferentes depois de uma turnê?
Angus Young: Após uma turnê queremos chegar em nossas casas e alimentar os cães e gatos. Existem alguns dias durante o ano em que ficamos juntos e decidimos o que vamos fazer. Se eu não ver Brian por um tempo, a primeira coisa que eu vou ver quando for em um hotel é o Brian encostado na mesa do bar, foi lá onde ele estava quando o deixei.
Paul Cashmere: Pelo menos você sempre sabe onde encontrá-lo.
Angus Young: Isso mesmo.
Paul Cashmere: Quando os críticos fazem pesquisas para eleger o melhor guitarrista do mundo, nomes como Eddie Van Halen sempre surgem, mas raramente você. Os fãs dizem que você é o melhor, mas os críticos dizem que não. O que você acha sobre esse assunto?
Angus Young: Começamos como uma banda. AC/DC foi uma banda antes de tudo. Nunca nós vimos como peças individuais. Sempre foi assim que encaramos. Eu nunca disse que o AC/DC é um solo de guitarra e "aqui está vai seu solo de bateria". AC/DC é uma combinação de cinco caras onde todos tocam com mesma intenção em mente. Saímos pra tocar um pouco de Rock N Roll. Não somos cinco caras exibindo suas técnicas individuais.
Paul Cashmere: Vocês têm feito pausas impressionantes durante todos esses anos, ai pessoas como Jimmy Page parece ficar com os elogios.
Angus Young: Ficamos na nossa. Tenho sorte. Há um monte de gente por aí que vai dizer que AC/DC os inspirou a pegarem em uma guitarra. Eu acho que isso em si também é um elogio.
Paul Cashmere: Qual é a sua banda cover do AC/DC favorita?
Angus Young: Uma vez ouvi uma banda francesa tocar "Dirty Deeds " e "Ride On ". A gente estava em Paris, e os caras tocaram pra gente. Foi muito estranho ouvi-los cantar nossas músicas em uma língua estrangeira.
Paul Cashmere: O que mantém AC/DC por todos estes anos? Não dever ter sido sempre um mar de rosas.
Angus Young: É verdade, não foi. A única fez que pensamos em parar foi quando o Bon morreu. Foi uma grande decisão sobre se iríamos continuar ou não. Decidimos continuar. Eu acho que foi a coisa mais difícil de decidida, mas desde então só estamos melhorando. Eu nunca disse "está bem agora vamos parar". Estamos melhorando positivamente.
Paul Cashmere: Como a morte de Bon afetou você?
Angus Young: Para mim foi como perder alguém provavelmente mais do que até mesmo um ente familiar. Éramos muitos unidos pessoalmente. Éramos muito, muito amigos. Em uma banda como o AC/DC é como estar em uma gangue infantil. Nós pensamos a mesma coisa. Você fica muito tempo juntos e isso é uma coisa muito difícil de você esquecer.
Paul Cashmere: Foi difícil substituir Bon?
Angus Young: Foi muito difícil. Nós realmente não sabíamos. Naquela altura as pessoas diziam "continuem" e outros diziam "vocês devem parar". Ao mesmo tempo nós não queríamos procurar um cantor. Tudo o que sei é que Malcolm me chamou um dia e disse que deveríamos ficar juntos e continuar a escrever canções, porque senão iríamos ficar entediados com o tempo. Ele disse que isso ia ajudar a manter nossas mentes ocupadas e longe de magoas e então foi quando decidimos o que devíamos fazer. No que diz respeito à substituição de alguém como Bon Scott, você nunca pode substituir alguém como ele. Tivemos sorte em encontrar Brian Johnson. Brian tem o estilo único também. Ele tem um estilo único como Bon. Eu sempre procurei por alguém fazendo algo diferente na música como pessoas únicas. É o que eu fiz junto com Brian Johnson. Ele é um cara único.
Paul Cashmere: Ele é o mais velho? Ele ainda se parece com um cara jovem pra você?
Angus Young: Sim. Posso imaginar as vezes que ele se sente como um cara novo. Quando eu entrei na banda eu me senti como um cara jovem. Malcolm me colocou uma semana após a banda ser criada, e senti a mesma coisa.
Paul Cashmere: Como é que tudo começou?
Angus Young: Malcolm estava montando uma banda. Ele achou um edifício em Newtown e disse que ele podia alugar pagando pouco. Ele estava fazendo audições com os caras e dizendo às pessoas para virem e tentarem. Uma semana depois, ele me perguntou "por que você não sua guitarra e tenta?". Eu achei ótimo, mas nada de trabalho diurno.
Paul Cashmere: De onde o uniforme escolar veio?
Angus Young: Veio da minha irmã. Ela sempre costumava dizer "Angus deve estar correndo pela casa com sua guitarra e com o uniforme da escola ou ele está la fora", ou então eu estava trancado no meu quarto tocando guitarra . Quando eu estava com minha guitarra minha irmã se recordava do uniforme escolar. Ela disse: "Por que você não continua usando o uniforme? Dará alguma coisa para as pessoas olharem."
Paul Cashmere: Era uniforme de uma escola especifica?
Angus Young: O primeiro que eu usei foi da minha escola original (Ashfield Boys High). Foi bom porque eu poderia voltar pra lá.
Paul Cashmere: A escola Ashfield Boys High tem uma estátua sua na frente agora?
Angus Young: Não, na verdade acho que eles colocam dentes de alho pra me manter longe.
Paul Cashmere: Deve ser engraçado, lá deve ter centenas de crianças que vão para a escola todos os dias vestidos exatamente como Angus Young.
Angus Young: É verdade.
Paul Cashmere: E quanto a crescer. É certo afirmar que o seu irmão George foi uma grande influência pra você? (George Young dos "The Easybeats" e "Flash & the Pan")
Angus Young: Claro, admirávamos o que ele estava fazendo, mas ficava com ele por muito tempo porque ele sempre estava na estrada. Mas quando ele estava por perto, certamente fomos influenciados por ele.
Paul Cashmere: Não foi Sandra sua esposa, que pensou no nome AC/DC?
Angus Young: Foi pouco de uma combinação. Estávamos pensando em nomes e ela disse AC/DC. E assim ficou. Achamos um bom nome e também precisávamos de um nome rápido porque fomos a uma agência em Sydney e eles disseram que tinham alguns shows agendados e por isso precisavam de um nome.
Paul Cashmere: Quem são seus heróis guitarristas?
Angus Young: Gosto de pessoas como BB King e Buddy Guy, o grande guitarrista e meu favorito de sempre, Chuck Berry.
Paul Cashmere: E sobre as novas caras?
Angus Young: Não gosto. Hoje em dia muitos desses caras querem tocar rápido e furiosamente. Quanto mais eu observo isso, mais eu admiro o meu irmão Malcolm. Tocar ritmos, bons guitarristas de ritmos, isso está em extinção. Não há muitos deles aparecendo neste novo estilo musical mundial. Os grandes são Keith Richards e Ike Turner. Eles são grandes tocadores ritmo.
Paul Cashmere: Os álbuns estão se espalhando hoje. Foram dois, no primeiro ano, cinco nos primeiros dois anos e meio, mas são poucos e estão longe daqui.
Angus Young: É verdade, mas é o que o AC / DC tem feito, fizemos mais álbuns em nossa carreira do que várias outras bandas já fizeram. Temos mais álbuns nos últimos vinte anos do que o The Who. Temos sorte, agora temos muito mais tempo para sentar e passar o tempo escrevendo, o que é ótimo para nós. Você pode ficar concentrado de verdade. Às vezes, no passado você ficava com a corda no pescoço, especialmente quando você tinha que fazer uma turnê. Várias coisas foram escritas e gravadas enquanto fazíamos turnê. Hoje em dia, é bom poder sentar e escolher o que queremos fazer.
Paul Cashmere: Sempre gostei dos canhões no show.
Angus Young: Sim, eles são uma parte de nós dês do álbum "For Those About To Rock". Quando tivemos essa idéia estávamos procurando alguma coisa no momento em que o casamento Real de Charles e Di estava acontecendo. Estávamos em Paris gravando algumas músicas para o álbum. Quando estávamos tocando "For Those About To Rock", nós paramos e podíamos ouvir os tiros dos canhões. Um dos caras estava com a TV ligada assistindo o casamento Real. Eu disse que o barulho soou legal, então vamos tentar isso.
Paul Cashmere: Charles nunca recebeu o pagamento de royalties por essa idéia?
Angus Young: Nunca se sabe.
Paul Cashmere: Vocês sempre tiveram fama de encrenqueiros. Vocês são dignos dessa má fama?
Angus Young: Eu sempre disse que o AC/DC nunca procurou encrenca. Ela vem até nós. Eu não acho que somos encrenqueiros. Certa vez um entrevistador Alemão perguntou para Malcolm "Aqui está uma TV, você quer jogar-la pela janela?" e Malcolm respondeu "Não, só quero levar ela pra casa".
Paul Cashmere: A ironia sobre a imagem de encrenqueiros é que realmente são todos homens de família e casados.
Angus Young: Durante as duas horas que eu subo no palco, e me torno o "School Boy". Mas logo que o show termina, eu saio do palco e vou pra casa. Eu nem sequer passo pela porta da frente, se eu chegar em casa com os chifres em minha cabeça. Podem pra eu limpar os pés antes de voltar pra casa.
Paul Cashmere: Então a Sra. Young não se veste de "School Girl" para agradar você?
Angus Young: (risos) Eu quero.
Paul Cashmere: Eu li que você se da muito bem com pintura, que faz uma série de paisagens.
Angus Young: É verdade. Sempre tive interesse em muitas coisas. Peguei uma vez um pincel e disse que ia pintar a parede um pouco.
Paul Cashmere: Que tipo de estilo de vida tem a fama e o conforto criado?
Angus Young: Sempre fui uma pessoa ligada às coisas simples. Nunca me interessei por uma vida sobre flashs. Acho que todos do AC/DC pensam o mesmo. Acho que é por isso que nos destacamos como somos. Somos só uma banda. Acho que se você pedisse pra alguém descrever um guitarrista de rock, eles não imaginariam alguém como eu, com os shorts e naipe de estudante. Acho que sempre fomos diferentes do resto.
Paul Cashmere: E sobre os bens materiais?
Angus Young: Bens materiais? Eu nunca fui um grande amante da vida sobre flashs, como ter uma casa enorme com uma piscina grande e um casal de crianças em cada braço. A coisa sobre os casais, talvez.
Paul Cashmere: Então você ainda mantém estilo de vida da época das Holden Panel-Van?
Angus Young: Muitas pessoas riem de como somos como cidadãos. Vou para os shows do AC/DC e ando junto com a multidão. Mas raramente me encontram. Estão sempre procurando pelo cara com o uniforme de estudante.
Paul Cashmere: Você se vê competitivo com as bandas mais jovens?
Angus Young: Não realmente. Tocamos rock, vimos o rock, fizemos muita coisa. Tanto para nós, há sempre uma banda nova lá fora, essa coisa de novidade do ano.
AC/DC é AC/DC, e aquilo que os outros caras tem feito, nunca incomodou a gente. Nunca tivemos que entrar em uma competição. Eles sempre esperam que a gente esteja no número um da coisa e sempre falo que quando você chegar ao número um, só há um caminho a percorrer, e é pra baixo. Nós preferimos ser o Top 5 por 20 anos.
Paul Cashmere: Lá atrás competíamos com Sherbet e Skyhooks.
Angus Young: Sempre tem alguém dizendo que estamos embalados por algum estilo, mas com o AC/DC isso é diferente, sempre nos vimos como uma banda de Rock and Roll. A partir do momento em que começamos a banda, sempre foi uma honra pra nós, poder motivar alguém a separar parte de seu dinheiro soado e ir até uma loja e comprar o nosso disco.
Paul Cashmere: É muito desgastante um show ao vivo?
Angus Young: Pode ter intervalos. Quando fazemos uma turnê por 18 meses, no final desses 18 meses, você fica bem judiado. Coloque desta forma, você parecerá com alguém que precise de uma boa alimentação.
Paul Cashmere: Angus, você sempre pareceu como alguém que precisasse de uma boa alimentação de qualquer forma.
Angus Young: (risos)
Paul Cashmere: O barulho de seus shows afetou sua audição?
Angus Young: Isso é outra coisa com que eu nunca tive problema. Um bom motivo pra isso é eu ficar correndo pra lá e pra cá o tempo todo.
Paul Cashmere: Você ainda é um seguidor da música australiana?
Angus Young: Sim, quando eu estou lá. Quando vou pra Austrália faço um levantamento sobre o que está rolando. Mas muitas pessoas ainda estão por lá desde quando começamos. Jimmy Barnes ainda agita com suas músicas. Muito da velha guarda ainda existe, mas há muitas coisas novas aparecendo.
Paul Cashmere: O que você escuta quando está em casa?
Angus Young: Eu tenho uma pequena coleção de discos. Eu vou a uma loja de discos e compro um álbum, mas o problema é que eu já tenho. Tenho 8 cópias de Muddy Waters e 4 cópias de um álbum BB King.
Paul Cashmere: Vocês ainda se consideram uma banda australiana?
Angus Young: Claro, foi lá que começamos e de onde somos reconhecidos como "Vindo de". Para nós, com certeza é onde estão as nossas raízes. Se não fosse pela a Austrália não estaríamos aqui.
Paul Cashmere: É engraçado, várias vezes os americanos elogiam sotaque "australiano" de Brian.
Angus Young: Eu acho que eles estão tentando descobrir de onde ele é. Brian tem um sotaque muito forte e eu acho que eles pensam isso porque o sotaque dele não se parece com o de seu país, e por isso ele deve ser australiano.
Paul Cashmere: Vocês vivem em várias partes do planeta. Como se manter em contato?
Angus Young: Da mesma maneira que eu estou falando com você agora.
Paul Cashmere: A banda faz ensaios pelo telefone, ei.
Angus Young: (risos) Sim.
Paul Cashmere: Vocês vão pra lugares diferentes depois de uma turnê?
Angus Young: Após uma turnê queremos chegar em nossas casas e alimentar os cães e gatos. Existem alguns dias durante o ano em que ficamos juntos e decidimos o que vamos fazer. Se eu não ver Brian por um tempo, a primeira coisa que eu vou ver quando for em um hotel é o Brian encostado na mesa do bar, foi lá onde ele estava quando o deixei.
Paul Cashmere: Pelo menos você sempre sabe onde encontrá-lo.
Angus Young: Isso mesmo.
Paul Cashmere: Quando os críticos fazem pesquisas para eleger o melhor guitarrista do mundo, nomes como Eddie Van Halen sempre surgem, mas raramente você. Os fãs dizem que você é o melhor, mas os críticos dizem que não. O que você acha sobre esse assunto?
Angus Young: Começamos como uma banda. AC/DC foi uma banda antes de tudo. Nunca nós vimos como peças individuais. Sempre foi assim que encaramos. Eu nunca disse que o AC/DC é um solo de guitarra e "aqui está vai seu solo de bateria". AC/DC é uma combinação de cinco caras onde todos tocam com mesma intenção em mente. Saímos pra tocar um pouco de Rock N Roll. Não somos cinco caras exibindo suas técnicas individuais.
Paul Cashmere: Vocês têm feito pausas impressionantes durante todos esses anos, ai pessoas como Jimmy Page parece ficar com os elogios.
Angus Young: Ficamos na nossa. Tenho sorte. Há um monte de gente por aí que vai dizer que AC/DC os inspirou a pegarem em uma guitarra. Eu acho que isso em si também é um elogio.
Paul Cashmere: Qual é a sua banda cover do AC/DC favorita?
Angus Young: Uma vez ouvi uma banda francesa tocar "Dirty Deeds " e "Ride On ". A gente estava em Paris, e os caras tocaram pra gente. Foi muito estranho ouvi-los cantar nossas músicas em uma língua estrangeira.
Paul Cashmere: O que mantém AC/DC por todos estes anos? Não dever ter sido sempre um mar de rosas.
Angus Young: É verdade, não foi. A única fez que pensamos em parar foi quando o Bon morreu. Foi uma grande decisão sobre se iríamos continuar ou não. Decidimos continuar. Eu acho que foi a coisa mais difícil de decidida, mas desde então só estamos melhorando. Eu nunca disse "está bem agora vamos parar". Estamos melhorando positivamente.
Paul Cashmere: Como a morte de Bon afetou você?
Angus Young: Para mim foi como perder alguém provavelmente mais do que até mesmo um ente familiar. Éramos muitos unidos pessoalmente. Éramos muito, muito amigos. Em uma banda como o AC/DC é como estar em uma gangue infantil. Nós pensamos a mesma coisa. Você fica muito tempo juntos e isso é uma coisa muito difícil de você esquecer.
Paul Cashmere: Foi difícil substituir Bon?
Angus Young: Foi muito difícil. Nós realmente não sabíamos. Naquela altura as pessoas diziam "continuem" e outros diziam "vocês devem parar". Ao mesmo tempo nós não queríamos procurar um cantor. Tudo o que sei é que Malcolm me chamou um dia e disse que deveríamos ficar juntos e continuar a escrever canções, porque senão iríamos ficar entediados com o tempo. Ele disse que isso ia ajudar a manter nossas mentes ocupadas e longe de magoas e então foi quando decidimos o que devíamos fazer. No que diz respeito à substituição de alguém como Bon Scott, você nunca pode substituir alguém como ele. Tivemos sorte em encontrar Brian Johnson. Brian tem o estilo único também. Ele tem um estilo único como Bon. Eu sempre procurei por alguém fazendo algo diferente na música como pessoas únicas. É o que eu fiz junto com Brian Johnson. Ele é um cara único.
Paul Cashmere: Ele é o mais velho? Ele ainda se parece com um cara jovem pra você?
Angus Young: Sim. Posso imaginar as vezes que ele se sente como um cara novo. Quando eu entrei na banda eu me senti como um cara jovem. Malcolm me colocou uma semana após a banda ser criada, e senti a mesma coisa.
Paul Cashmere: Como é que tudo começou?
Angus Young: Malcolm estava montando uma banda. Ele achou um edifício em Newtown e disse que ele podia alugar pagando pouco. Ele estava fazendo audições com os caras e dizendo às pessoas para virem e tentarem. Uma semana depois, ele me perguntou "por que você não sua guitarra e tenta?". Eu achei ótimo, mas nada de trabalho diurno.
Paul Cashmere: De onde o uniforme escolar veio?
Angus Young: Veio da minha irmã. Ela sempre costumava dizer "Angus deve estar correndo pela casa com sua guitarra e com o uniforme da escola ou ele está la fora", ou então eu estava trancado no meu quarto tocando guitarra . Quando eu estava com minha guitarra minha irmã se recordava do uniforme escolar. Ela disse: "Por que você não continua usando o uniforme? Dará alguma coisa para as pessoas olharem."
Paul Cashmere: Era uniforme de uma escola especifica?
Angus Young: O primeiro que eu usei foi da minha escola original (Ashfield Boys High). Foi bom porque eu poderia voltar pra lá.
Paul Cashmere: A escola Ashfield Boys High tem uma estátua sua na frente agora?
Angus Young: Não, na verdade acho que eles colocam dentes de alho pra me manter longe.
Paul Cashmere: Deve ser engraçado, lá deve ter centenas de crianças que vão para a escola todos os dias vestidos exatamente como Angus Young.
Angus Young: É verdade.
Paul Cashmere: E quanto a crescer. É certo afirmar que o seu irmão George foi uma grande influência pra você? (George Young dos "The Easybeats" e "Flash & the Pan")
Angus Young: Claro, admirávamos o que ele estava fazendo, mas ficava com ele por muito tempo porque ele sempre estava na estrada. Mas quando ele estava por perto, certamente fomos influenciados por ele.
Paul Cashmere: Não foi Sandra sua esposa, que pensou no nome AC/DC?
Angus Young: Foi pouco de uma combinação. Estávamos pensando em nomes e ela disse AC/DC. E assim ficou. Achamos um bom nome e também precisávamos de um nome rápido porque fomos a uma agência em Sydney e eles disseram que tinham alguns shows agendados e por isso precisavam de um nome.
Paul Cashmere: Quem são seus heróis guitarristas?
Angus Young: Gosto de pessoas como BB King e Buddy Guy, o grande guitarrista e meu favorito de sempre, Chuck Berry.
Paul Cashmere: E sobre as novas caras?
Angus Young: Não gosto. Hoje em dia muitos desses caras querem tocar rápido e furiosamente. Quanto mais eu observo isso, mais eu admiro o meu irmão Malcolm. Tocar ritmos, bons guitarristas de ritmos, isso está em extinção. Não há muitos deles aparecendo neste novo estilo musical mundial. Os grandes são Keith Richards e Ike Turner. Eles são grandes tocadores ritmo.
Paul Cashmere: Os álbuns estão se espalhando hoje. Foram dois, no primeiro ano, cinco nos primeiros dois anos e meio, mas são poucos e estão longe daqui.
Angus Young: É verdade, mas é o que o AC / DC tem feito, fizemos mais álbuns em nossa carreira do que várias outras bandas já fizeram. Temos mais álbuns nos últimos vinte anos do que o The Who. Temos sorte, agora temos muito mais tempo para sentar e passar o tempo escrevendo, o que é ótimo para nós. Você pode ficar concentrado de verdade. Às vezes, no passado você ficava com a corda no pescoço, especialmente quando você tinha que fazer uma turnê. Várias coisas foram escritas e gravadas enquanto fazíamos turnê. Hoje em dia, é bom poder sentar e escolher o que queremos fazer.
Paul Cashmere: Sempre gostei dos canhões no show.
Angus Young: Sim, eles são uma parte de nós dês do álbum "For Those About To Rock". Quando tivemos essa idéia estávamos procurando alguma coisa no momento em que o casamento Real de Charles e Di estava acontecendo. Estávamos em Paris gravando algumas músicas para o álbum. Quando estávamos tocando "For Those About To Rock", nós paramos e podíamos ouvir os tiros dos canhões. Um dos caras estava com a TV ligada assistindo o casamento Real. Eu disse que o barulho soou legal, então vamos tentar isso.
Paul Cashmere: Charles nunca recebeu o pagamento de royalties por essa idéia?
Angus Young: Nunca se sabe.
Entrevista com Joan Jett.
Em entrevista recente, ela fala sobre o filme e as Runaways, dentre outras coisas.
Em “The Runaways” você foi produtora executiva, o que pode significar muitas coisas. O que você fez de fato no filme?
Joan Jett: Fui principalmente um apoio para Kristen. Eu quis estar à disposição dela, porque ela me representa no filme, então foi importante lhe dar todas as ferramentas para isso. Falamos sobre tudo, desde tocar guitarra até minha postura e meu sotaque. Ela foi muito autêntica e se esforçou muito para acertar em tudo.
E ela acertou? Conseguiu representar você?
JJ: Foi surreal ver uma pequena eu correndo de um lado a outro. Foi bizarro. Acho que ela acertou tanto quanto seria possível. Não sei o que mais ela poderia ter feito.
Você já tinha pensado em mostrar o início de sua carreira em um filme?
JJ: Pessoalmente, eu nunca tinha pensado nisso. Esse início era tão importante para mim que a ideia de fazer um filme sobre isso era um pouco assustadora, porque seria quase como perder controle. Mas, depois de dizer ‘sim’ e me envolver de fato no filme, senti confiança em que daria tudo certo.
Por que assustadora?
JJ: Você tem medo que o filme possa errar muito, e isso assusta porque essa história é tão importante para mim. Não é apenas a história de uma banda só de garotas. É sobre quebrar barreiras, é sobre fazer o que você queria fazer. É sobre não exercer um certo papel na vida simplesmente porque é isso que se espera de você.
Os criadores do filme ou o estúdio chegaram a discutir a possibilidade de não incluir no filme o caso entre você e Cherie?
JJ: Não.
Você disse que teve uma sensação “surreal” ao ver Kristen representando você e Dakota representando Cherie. Por que?
JJ: Bem, foi um grande alívio e foi algo muito satisfatório. Estou tentando encontrar palavras para explicar como foi vê-las nos captar tão bem. As duas incorporaram exatamente quem nós duas queríamos ser quando éramos garotas, ou seja, nossas presenças no palco. Kristen e Dakota são jovens e a banda não foi do tempo delas, mas elas entenderam. Elas entenderam o que as Runaways fizeram, e isso é importante para elas.
O que o filme transmite ao público mais jovem?
JJ: Aquilo do qual falamos antes: ter as pessoas lhe dizendo que você não pode fazer tal coisa, superar adversidades, sentir-se desajustada, pária… Seguir seus sonhos e, se você não chega ao lugar onde achou que poderia chegar, saber que pelo menos você tentou e que pode ter algumas histórias boas para contar. Você não terá que olhar para trás para sua vida e dizer ‘sabe de uma coisa? Eu deveria ter tentado.’”
Você tem mais de 50 anos e continua a fazer rock. Hoje tocar no palco é diferente para você do que era 10 ou 20 anos atrás?
JJ: Sim, eu procuro não pensar tanto. Procuro viver o momento. Procuro não me incomodar com as coisas pequenas – tipo monitores que não são perfeitos e coisas que desviam sua atenção das canções. Acho que estou mais calma.
As letras que você escreve mudaram?
JJ: Além de escrever sobre me apaixonar e desapaixonar, sobre querer fazer certas coisas, sair, ir a baladas – enfim, todas as coisas das quais eu escrevia antes -, quero escrever sobre coisas mais profundas. A gente quer aprender sobre política e espiritualidade. Mas como fazer isso de uma maneira que não seja pretenciosa, pomposa ou besta, sabe, que seja real… Meu jeito de trabalhar não mudou, mas eu quero incorporar mais coisas na temática.
O rock sempre foi visto como sendo rebelde, e The Runaways eram rebeldes. Você ainda é uma rebelde?
JJ: Espero que sim. Acho difícil me avaliar. Outras pessoas me chamam de rebelde, mas, para mim, estou simplesmente vivendo minha vida e fazendo o que quero fazer. Às vezes as pessoas chamam isso de rebeldia, especialmente no caso de uma mulher. Um homem que sabe o que quer é visto como líder. Se uma mulher sabe o que quer, ela é uma vadia.
Eu não diria isso.
JJ: Mas você sabe o que quero dizer. Isso é totalmente real. Eu topo com isso a toda hora, vejo outras mulheres topando com isso. É real.
Em “The Runaways” você foi produtora executiva, o que pode significar muitas coisas. O que você fez de fato no filme?
Joan Jett: Fui principalmente um apoio para Kristen. Eu quis estar à disposição dela, porque ela me representa no filme, então foi importante lhe dar todas as ferramentas para isso. Falamos sobre tudo, desde tocar guitarra até minha postura e meu sotaque. Ela foi muito autêntica e se esforçou muito para acertar em tudo.
E ela acertou? Conseguiu representar você?
JJ: Foi surreal ver uma pequena eu correndo de um lado a outro. Foi bizarro. Acho que ela acertou tanto quanto seria possível. Não sei o que mais ela poderia ter feito.
Você já tinha pensado em mostrar o início de sua carreira em um filme?
JJ: Pessoalmente, eu nunca tinha pensado nisso. Esse início era tão importante para mim que a ideia de fazer um filme sobre isso era um pouco assustadora, porque seria quase como perder controle. Mas, depois de dizer ‘sim’ e me envolver de fato no filme, senti confiança em que daria tudo certo.
Por que assustadora?
JJ: Você tem medo que o filme possa errar muito, e isso assusta porque essa história é tão importante para mim. Não é apenas a história de uma banda só de garotas. É sobre quebrar barreiras, é sobre fazer o que você queria fazer. É sobre não exercer um certo papel na vida simplesmente porque é isso que se espera de você.
Os criadores do filme ou o estúdio chegaram a discutir a possibilidade de não incluir no filme o caso entre você e Cherie?
JJ: Não.
Você disse que teve uma sensação “surreal” ao ver Kristen representando você e Dakota representando Cherie. Por que?
JJ: Bem, foi um grande alívio e foi algo muito satisfatório. Estou tentando encontrar palavras para explicar como foi vê-las nos captar tão bem. As duas incorporaram exatamente quem nós duas queríamos ser quando éramos garotas, ou seja, nossas presenças no palco. Kristen e Dakota são jovens e a banda não foi do tempo delas, mas elas entenderam. Elas entenderam o que as Runaways fizeram, e isso é importante para elas.
O que o filme transmite ao público mais jovem?
JJ: Aquilo do qual falamos antes: ter as pessoas lhe dizendo que você não pode fazer tal coisa, superar adversidades, sentir-se desajustada, pária… Seguir seus sonhos e, se você não chega ao lugar onde achou que poderia chegar, saber que pelo menos você tentou e que pode ter algumas histórias boas para contar. Você não terá que olhar para trás para sua vida e dizer ‘sabe de uma coisa? Eu deveria ter tentado.’”
Você tem mais de 50 anos e continua a fazer rock. Hoje tocar no palco é diferente para você do que era 10 ou 20 anos atrás?
JJ: Sim, eu procuro não pensar tanto. Procuro viver o momento. Procuro não me incomodar com as coisas pequenas – tipo monitores que não são perfeitos e coisas que desviam sua atenção das canções. Acho que estou mais calma.
As letras que você escreve mudaram?
JJ: Além de escrever sobre me apaixonar e desapaixonar, sobre querer fazer certas coisas, sair, ir a baladas – enfim, todas as coisas das quais eu escrevia antes -, quero escrever sobre coisas mais profundas. A gente quer aprender sobre política e espiritualidade. Mas como fazer isso de uma maneira que não seja pretenciosa, pomposa ou besta, sabe, que seja real… Meu jeito de trabalhar não mudou, mas eu quero incorporar mais coisas na temática.
O rock sempre foi visto como sendo rebelde, e The Runaways eram rebeldes. Você ainda é uma rebelde?
JJ: Espero que sim. Acho difícil me avaliar. Outras pessoas me chamam de rebelde, mas, para mim, estou simplesmente vivendo minha vida e fazendo o que quero fazer. Às vezes as pessoas chamam isso de rebeldia, especialmente no caso de uma mulher. Um homem que sabe o que quer é visto como líder. Se uma mulher sabe o que quer, ela é uma vadia.
Eu não diria isso.
JJ: Mas você sabe o que quero dizer. Isso é totalmente real. Eu topo com isso a toda hora, vejo outras mulheres topando com isso. É real.
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