O Capital Inicial de hoje é melhor do que o do início da carreira?
Dinho - Eu acho que ele tem menos excessos. E isso é uma coisa que é um problema para a banda. Você vai acumulando maneirismos ao longo dos anos. Acho que graças à separação, nós conseguimos nos livrar um pouco disso. Eu ouço os primeiros discos e acho tudo muito excessivo. Produção demais, teclados demais, vocal demais. Eu acho que a gente aprendeu a controlar isso tudo.
Estamos melhor. Principalmente este disco que a gente lançou antes do acústico, o "Atrás dos Olhos". Eu acho esse disco o nosso melhor trabalho. A gente só tinha conseguido atingir essa simplicidade, ir direto ao assunto, somente no primeiro disco. O resto ficou meio barroco, com excesso de tudo
Vocês não percebiam esses excessos na época?
A gente cometeu um grande erro nos anos 80, não quero culpar ninguém, mas a entrada do Bozo descaracterizou muito a banda. A gente levo muito tempo tentando equacionar a entrada dele e acho que até hoje não conseguimos resolver isso direito. Eu acho que a volta do Capital é a volta como quarteto. Aliás, os nossos melhores discos foram gravados como quarteto.
Mas foram vocês que o convidaram para a banda.
Sim. Foi. Por isso a culpa foi toda nossa. Ele não tem culpa de nada, ele aceitou e tudo bem. A culpa foi inteira nossa. Ele era um músico letrado, que tinha se formado na ECA, tinha tocado com Arrigo Barnabé, ele era semi-erudito. E a gente era uma banda punk, que aprendeu tocando dois acordes. Não poderia dar certo. E não deu.
Por que você saiu da banda em 1994? Qual foi o motivo do racha entre vocês?
Já rolava uma estafa entre a gente. Já estávamos juntos desde os 19 anos, passamos por tudo, altos e baixos. Eu também queria tocar com outras pessoas, fazer outras coisas da vida. Acho que todos nós tínhamos uma certa dúvida existencial quanto ao Capital, não sabíamos direito para onde ir. E eu acho que quando a gente não sabe o que dizer, é melhor não dizer nada. Não que isso fosse deliberado, mas olhando para trás, acho que a gente fez a coisa certa em parar. Foi a melhor coisa que a gente fez. E parte do que está acontecendo agora é fruto desses cinco anos de silêncio. Tanto quanto a relação entre nós como a nossa relação com o público. Deu para pensar na vida, pensar na nossa música. Amadurecemos, tanto eu quanto a banda passamos por muitas dificuldades. Eu fiquei solo. Eu fiquei solo e independente nesses cinco anos e tudo foi muito difícil. Tudo. Gravar, fazer vídeo, todo o trabalho era mais difícil. Quando você passa por isso, ganha uma nova consciência, aprende a se virar sozinho. Me ensinou muito, passei a moderar as expectativas.
A relação entre os membros da banda voltou fortalecida?
Cara, a nossa amizade foi salva. Foi recuperada. A gente teve que cavar e varrer muita coisa para debaixo do tapete. Percebemos que maior do que qualquer um é a banda. Não ficamos mais embriagados com o sucesso e outras coisas que vem com ele. Sabemos que tudo é efêmero. A conseqüência é que nos damos muito melhor agora do que antes. Existe um respeito muito maior entre a gente.
O projeto do disco acústico já estava nos planos da banda desde a volta?
Sim e não. Existia a idéia de fazer um disco ao vivo. A gente nunca tinha feito um juntos e, fatalmente, um dia isso ia acontecer. A gente não sabia bem o formato, tínhamos duas alternativas: lançar um disco de rock mais pesado ou encarar o desafio de um acústico. Nós achamos que o acústico era melhor por inúmeras razões, entre elas, a própria visibilidade do projeto. Sabíamos que era um formato altamente vendável e vencedor. Mas quando eu digo isso, nem eu, nem gravadora, nem a MTV e muito menos a banda, esperava por essa repercussão. Todo mundo foi surpreendido pelo que aconteceu. E eu acho que isso acabou sendo uma vantagem. Entramos em campo sem nenhuma expectativa.
Mas vocês também pretendiam resgatar alguns velhos hits para o público novo que vocês acabaram conquistando com a volta?
Cara, a nossa maior preocupação, o nosso maior medo quando essa história começou, pelo menos o meu maior medo era que isso fosse visto com uma onda nostálgica. Que fosse uma coisa tipo "vamos lembrar como eram legais os anos 80" ou "jovem também tem saudade". O meu maior medo é que o disco tivesse essa característica. Por isso a gente botou várias músicas novas, como "Natasha", "Tudo Que Vai"... E conseguíamos o que queríamos, que era falar para a moçada e não para gente da minha idade. É o que vem acontecendo. A média de idade do público que vai aos nossos shows é de 16, 17 anos. Eu considero isso uma vitória.
Só que um lançamento desse não consegue esconder o clima de oportunismo.
E eu acho que em alguns casos, são oportunistas. Mas eu costumo dizer para as pessoas que sugerem que nós fomos oportunistas, que a gente voltou com um disco novo, antes, cheio de inéditas. Queremos virar a página do acústico o quanto antes. Devemos estar entrando em estúdio no começo do próximo semestre. Ou seja, não temos nada a ver com essa onda de nostalgia. As músicas que mais tocaram no rádio, que foram extraídas do acústico, eram músicas novas. E se uma banda não consegue mais compor ou apresentar novas idéias, não merece muita consideração, o que não é o nosso caso.
foto de Priscila Prade
Você não acha que banda de rock tem que durar pouco para não cair no ridículo?
Eu discordo. Tem várias bandas boas que estão há anos fazendo bons trabalhos. E, principalmente, eu acho que não existem regras no rock. Tem exemplos nos dois sentidos. Tem bandas-relâmpago maravilhosas, como o Sex Pistols e o Nirvana e tem bandas mais longas, como o Rolling Stones e o Aerosmith, que são ótimos. O segredo é você conseguir compor e apresentar novas idéias. Se você pegar o "Tatto You", que eu acho um dos melhores discos dos Stones, eles já tinham 20 anos de carreira. Nem tudo que é novo é bom e nem tudo que é velho é ruim.
É que algumas bandas envelhecem melhor ou pior do que outras. E tem aquelas bandas que vivem só do passado, como, por exemplo, o Deep Purple. Você vai ao show dos caras só para ouvir o "Machine Head", que é um disco de mais de 20 anos.
E você também pode envelhecer com dignidade. É só não ficar embarcando no último modismo. Você tem que abraçar o que sempre fez. Um exemplo é a volta do Echo & The Bunnymen, que é do caralho. Os discos recentes deles são sensacionais. Eu acho um erro o Clash não voltar. Todos estão inteiros, relativamente moços, não sei porque não voltam a tocar, são uma puta banda.
Por que o rock nacional perdeu espaço nos anos 90? As bandas estabelecidas perderam o gás? Ou não houve uma segunda geração?
Um pouco de tudo. Mas eu acho que houve uma segunda geração que nos sucedeu, como Raimundos, Planet Hemp, o Rappa, acho que é um pessoal bem anos 90.
Acredito que existia uma crise de identidade entre a nossa geração. Tudo isso coincidiu com a ascensão do grunge e no Brasil de bandas como Raimundos e o Rappa. Acho que de um certo modo, teve uma crise de consciência em quase todo mundo da minha geração. Várias bandas perderam. Foi o fundo do poço para todos, até os grandões como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Titãs, passaram por essa crise.
Todo mundo ficou com a auto-estima bem abalada no começo dos anos 90. Foi como se cada um de nós achasse que tinha se corrompido. Ou virado o inimigo. As coisas que a gente apontava como defeito aos outros, no começo da nossa carreira, foi o que acabamos virando. Com o passar dos anos, essa avaliação severa que nós fazíamos de nós mesmos, mudou. Falando por mim, a avaliação super séria que eu tinha do Capital, do que a banda tinha virado, eu já não acho mais hoje. Eu sou menos maniqueísta. Acho bacana muita coisa que a gente fez. Não é tudo lixo, que tem que jogar fora, como eu pensava nos anos 90.
Esta crise de identidade explica o fato de vocês terem mudado bastante de perfil, passando por eletrônicos, depois grunge, depois metal, aí acabaram...
Sim. Estas mudanças foram causas da entrada do Bozo, também. O Capital em determinados momentos passou por uma crise existencial muito forte, seguida de uma crise de identidade que já existia há anos. E também existia a eterna comparação com a Legião. Essa comparação fez com que a gente entregasse os pontos. Chegou um momento em que todo mundo falou "foda-se". Aí resolvemos virar ídolos a qualquer preço.
Assim que você saiu do Capital, você disse que não conseguia enxergar uma personalidade na banda, que vocês viviam atrás da Legião. E agora? Você enxerga uma personalidade no Capital?
Sim. A gente se desenvolveu ao longo dos anos. Agora, eu vejo um estilo, uma personalidade bem resolvida. Mas a gente levou 10 anos para alcançar isso. A ligação com o Renato e a Legião era intestinal, visceral. O Fê e o Flávio aprenderam a tocar no Aborto Elétrico. Eu aprendi vendo eles tocarem. O Dado é meu irmão e o Bonfá meu melhor amigo, nós crescemos juntos. Foi difícil romper esse cordão umbilical e caminhar com as próprias pernas.
Por que a sua carreira solo não decolou?
Eu estava numa gravadora independente, que é o selo do Dado (Villa Lobos, ex-Legião, e o selo é o Rock It!). Ambos não tinham dinheiro. Acho que as pessoas ouviam o meu disco e falavam, "isso é Capital!". Viviam dizendo, "é igualzinho, por que você saiu então?". Não viam nenhum propósito e eu acho que essas pessoas tinham razâo. Mas eu gosto do meu disco solo, acho que é um dos meus melhores trabalhos. Tive a oportunidade de trabalhar com o Suba, que foi um grande produtor. Mas aquilo poderia ter sido feito com o Capital, não precisava ter saído.
Qual foi a importância da cena de Brasília para o rock nacional?
Eu acho que é a mais importante cena roqueira do país. A única cidade que pode se rivalizar com Brasília é Porto Alegre. Em São Paulo tinha várias cenas isoladas, o Ira! era mod, o Inocentes era punk, os Titãs eram pop, o Ratos do Porão era hardcore, cada banda era uma coisa diferente, cada banda era uma ilha. Em Brasília, como em Porto Alegre, existia uma unidade. Unidade de referências, de origens, nos discursos...
Não sei se atribuiria o sucesso do rock brasileiro à cena de Brasília, mas é uma cena crucial na história do rock nacional. Em todo o momento, dos anos 80 para cá, sempre existiu uma banda de Brasília entre as maiores do país.
Por que a crítica especializada gosta de massacrar o rock nacional, principalmente as bandas dos anos 80?
Se você perceber um padrão nessas críticas, vai ver uma coisa engraçada. Eles sempre estão falando muito bem de alguém e, aproveitam, para alfinetar o rock brasileiro. Dizem coisas como "dentro desse roquinho nacional, essa é uma coisa que se destaca". Para falar bem de alguém tem que falar mal do rock brasileiro.
Mas a crítica restringe-se apenas ao rock nacional e a MPB. Eles não se dignam a analisar os gêneros mais populares – como a música sertaneja, o axé e o pagode – esses são completamente ignorados. Se eles se preocupam com a gente, ok, significa que nós temos importância.
Por que a volta de bandas veteranas como vocês e o Ira!? Não há nada novo que preste?
Não, existem bandas novas muito boas. E o bacana é que a gente está co-existindo com essas bandas novas. Rappa, Planet Hemp, Raimundos, Jota Quest, Rumbora, Pato Fu, Skank, são bandas legais pra caralho que estão indo super bem. E nós estamos co-existindo com eles. No Brasil isso é um a coisa nova, mas lá fora isso é bem normal. Um garoto vai ao show do Offspring e do Aerosmith com o mesmo prazer. Não existe isso de uma geração ou outra
Existem diferenças entre ser um artista popular e fazer música pop?
Sim. A gente não tem acesso aos veículos populares. Não entramos nas grandes rádios, temos dificuldades de entrar na Globo. Nós fazemos música pop mas não somos populares.
E nós não temos pudores. Eu faço o que for preciso pelo rock nacional e pela minha música. A gente faz música para os nossos veículos. Mas, se uma rádio popular me convidar, ou algum programa de TV, eu vou. Mas vou nos meus termos. Eu vou para tocar a minha música. O Brasil tem uma mania muito anti-social. Não adianta fingir que estamos no Primeiro Mundo. Se a gente ficar restrito a 89FM e a MTV, a nossa música só será ouvida pela classe média branca. É legal sair desse castelo de mármore. E se você quer mostrar o rock brasileiro para o povo, tem que abraças todas as oportunidades que lhe são oferecidas.
Mas ainda existem pessoas pré-dispostas, no grande público consumidor, a conhecer o rock nacional?
O perfil dessas pessoas mudou dos anos 80 para cá. A molecada de hoje é menos intransigente do que a gente era. Com a gente não tinha muita conversa. Hoje, o mesmo cara que gosta de forró, gosta de Capital. O cara gosta de Raimundos,Capital, Falamansa... É um cara muito mais tolerante do que a gente nos anos 80.
E você acha isso legal?
Não muito (cai na gargalhada) ... Confesso que sou intolerante. É uma das minhas manias. Em relação a tudo na vida, menos música, eu sou tolerante. Ainda acho que a segmentação é uma coisa positiva. Acredito que a segmentação é o melhor caminho para todos os gêneros musicais no Brasil.
E o novo disco do Capital?
Estou começando a compor. Já existem umas cinco bases prontas. Em janeiro eu vou entrar em estúdio. Eu queria chegar em março com as bases todas prontas para já começar a pré-produção. Se tudo der certo assim, sai em junho. Mas já antecipo que vai ser bem cru, pesado, uma banda de rock básico.
Dinho no Rock In Rio 3 - Foto de Marcelo Rossi
E o seu livro sobre a cena de Brasília? Em que pé que está?
O livro está em um disquete. Assim que assentar um pouco a poeira do acústico, acho que no final do ano, eu vou retomá-lo. Não dá tempo de escrever. Só este ano a gente fez 120 shows e eu ainda tenho duas crianças pequenas em casa. Fica impraticável. Mas se tudo der certo também eu o lanço em junho, junto com o novo disco do Capital. O problema é que escrever o livro está se mostrando muito mais difícil do que eu pensava. E eu estou escrevendo de um modo totalmente caótico, eu conto as histórias da maneira que eu vou lembrando.
Você leu o "Diário da Turma", do Paulo Marchetti?
Sim, inclusive está bem aqui na minha mesa. Eu achei legal, mas o meu não é bem isso. A minha história se passa antes, o livro acaba quando as bandas começam. As bandas, eu falo, quero dizer a Legião Urbana e o Capital Inicial. O Paulinho era molequinho nessa época, devia ter 6 ou 7 anos. Eu tinha 16 anos quando o meu livro começa. O livro do Paulo começa bem depois. E ele conta a história entrevistando as pessoas. O meu é um romance, eu falo na primeira pessoa e você, leitor, em alguns momentos vai ficar em dúvida se alguns fatos aconteceram ou não. E eu também não sei se aconteceram do jeito que eu estou contando.
Blog para os admiradores de rock e musica de qualidade em geral. Serão postados discos de bandas, artistas solo dos mais variados estilos como rock progressivo, hard rock, blues, jazz, pop rock, aor rock, disco 70s, punk, new wave e tecnopop. Comentários são muito bem vindos. Esse blog não publicara links de albuns oficiais, mas talvez publicará links de albuns "bootlegs". Bom divertimento e um abraço a todos !!!
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Entrevista com John Deacon.
Clássica com a revista Bizz em 1986.
Bizz: O único trabalho que vocês lançaram em 85 foi o single "One Vision". Por que isso?
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Deacon: Estivemos afastados do estúdio desde o último LP, Works. Geralmente, quando acabamos um disco, estamos com o saco tão cheio das gravações e do trabalho conjunto que sempre tiramos umas férias.
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Bizz: Então, 85 foi uma éspécie de período de férias coletivas?
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Deacon: Não realmente. Fizemos poucos shows, mas eles foram bem importantes. Fizemos duas apresentações no Rock in Rio, depois tocamos na Nova Zelândia, na Austrália, Japão, e voltamos à Inglaterra para tocar no Live Aid. Não foi um ano tão tranquilo assim.
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Bizz: Vocês têm se envolvido em projetos de discos solo e turnês sucessivas. Não fica difícil acomodar o trabalho do Queen no meio dessa situação?
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Deacon: Fica. Mas o que aconteceu de fato é que ao longo dos últimos anos começamos a ter sérias divergências internas. Os interesses do grupo têm ficado bem distanciados dos interesses individuais. Enquanto a banda segue sem prejudicar a saúde de seus integrantes não há necessidade de separação. Mas a situação está difícil, e é necessário que cada um saiba organizar bem seu tempo. Quando Freddie iniciou seu projeto solo, eu marquei bobeira e fiquei um tempão sem fazer nada. Nós ficamos a ver navios, o que foi muito chato…
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Bizz: Voltando ao single, ele parece ter sido um resultado imediato da apresentação do Live Aid.
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Deacon: Bem, talvez no contexto da letra, não sei… Não estive muito envolvido com a composição. Apesar da autoria ter sido creditada ao grupo todo, ela na verdade é dos outros três.
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Bizz: Isso não é muito usual, não? Você sempre teve grande responsabilidade no trabalho do Queen.
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Deacon: É, no passado era assim, quando as composições eram feitas individualmente.
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Bizz: E como estão os planos para o futuro?
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Deacon: Planos para o futuro? Bem, hoje já não somos tão organizados como há alguns anos, quando sabíamos o que iríamos fazer meses depois. Estamos fazendo a trilha sonora de Highlander, o segundo filme do diretor de vídeos Russell Mulcahy (autor de vários clips do Duran Duran). É uma fita muito interessante, com um visual soberbo, um bom roteiro e grandes atores – ela é estrelada por Sean Connery e Christophe Lambert.
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Bizz: E a próxima turnê?
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Deacon: Quando terminar o trabalho com o filme discutiremos o que fazer. Esse é o problema de um grupo quando ele faz muito sucesso. Todos têm planos individuais, e quando se vai decidir os rumos do grupo cada um tenta puxar a brasa para a sua sardinha. Eu particularmente acho que, depois da resposta do público no Live Aid, nós deveríamos partir para uma turnê ao invés de ficar mofando num estúdio. Tem gente na banda que acha melhor gravar outro disco e excursionar depois.
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Bizz: O que você acha dessa onda de shows beneficentes? As pessoas devem usar a música para causas políticas?
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Deacon: Acho que sim. Bob Geldof fez isso com o disco Do They Know It’s Christmas e depois com o Live Aid, e conseguiu chamar a atenção dos políticos para esses problemas. Achei ótimo o Live Aid causar uma reação generalizada em várias partes do mundo, um fenômeno sem precedentes e que levantou muita grana. É um jeito de fazer com que os músicos sejam ouvidos for a do âmbito musical.
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Bizz: O Queen participou de vários shows beneficentes, não foi?
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Deacon: Vários, mas nunca fizemos muita publicidade em cima. No último LP abrimos mão de alguns direitos autorais, mas nunca quisemos divulgar isso. Podemos nos dar ao luxo de doar alguns direitos para causas beneficentes. É algo que todos os membros do grupo acatam, apesar das divergências.
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Bizz: Quais causas você apoia?
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Deacon: Dou preferência a causas humanas, bem mais do que à defesa de animais e esse tipo de coisas. Eu também apoiaria causas em benefício da saúde mental.
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Bizz: O disco Works tem uma ligação com os anos 60, com os Beatles e com o início de carreira do próprio Queen. Como você enxerga esse trabalho em meio a todo esse revival, esse modismo de volta ao passado e ao rock antigo?
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Deacon: O jeito de se fazer música mudou muito nos últimos anos, principalmente por causa do avanço tecnológico. Eu gosto da atitude de pessoas que formam grupos, com quatro, cinco ou três membros, não importa, mas com um caráter de grupo, que grava e toca ao vivo com a mesma formação. Por isso gosto dessa volta aos velhos valores, de se privilegiar o grupo ao invés do aparato.
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Bizz: Mas os integrantes do Queen andaram seguindo direções diferentes, e havia rumores de que a banda iria acabar, principalmente na época do projeto solo de Freddie Mercury. Como está a situação?
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Deacon: Eu tenho uma visão simplista disso. Acho que um grupo deve fazer duas coisas: gravar e tocar ao vivo. Nós lançamos o single, e estamos fazendo música para um filme; estamos trabalhando juntos, portanto ainda somos um grupo. Não é como o Police, por exemplo. Eles continuam dizendo que estão unidos, mas não estão gravando ou tocando juntos.
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Bizz: Parece que o Queen não será convidado para o segundo Rock in Rio. O que você acha disso?
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Deacon: (surpreso) Eu não sabia. Só tinha lido nos jornais sobre as tentativas de se mudar o evento para São Paulo… Não sei, acho difícil promover um evento desses a cada dois anos. Mas se houver um esse ano gostaria muito de tocar lá de novo. Na primeira vez as condições são sempre especiais – todo mundo estava nervoso e apreensivo com a organização da coisa toda. Mas tudo correu muito bem.
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Bizz: A imprensa brasileira divulgou o evento como sendo um fato histórico. Você concorda com essa classificação?
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Deacon: Em termos de América do Sul eu acho que sim. E principalmente para o Brasil, porque foi uma coisa feita por brasileiros. Muitos viajaram de longe para ver o evento, o que demonstra que ele teve mesmo uma grande repercussão internacional.
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Bizz: Eu estava me perguntando por que mandaram você quando pedi para entrevistar o Queen…
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Deacon: É porque eu sou voluntário… (risos) Só por isso.
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Bizz: Os outros não dão entrevistas?
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Deacon: Já demos tantas que eu nem sei mais ao certo se os outros ainda gostam disso. O Roger é bom nisso, ele é bem tranquilo para entrevistas.
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Bizz: Acabamos de assistir ao clip de "One Vision". Ele é bem diferente dos anteriores, mais simples, direto, com vocês tocando no estúdio…
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Deacon: É, eu gosto desse clip. É uma mudança bem refrescante… Tínhamos feito alguns clips que não foram bem recebidos, e decidimos trocar de diretor e de conceito. Em vez de passarmos a impressão de estar tocando ao vivo, resolvemos tocar de verdade e aparecer assim no vídeo. Pusemos câmeras no estúdio em Munique enquanto estávamos gravando o single. Foi uma experiência estranha. Eu ficava meio nervoso sendo filmado enquanto tocava de verdade – foi mais ou menos como o lance dos Beatles no filme Let it Be. Mas correu tudo bem, e deu para gravar do jeito que imaginávamos. Além dessas imagens, o clip inclui cenas gravadas há algumas semanas em Londres. São cenas nas quais nos referimos a algumas imagens do vídeo de "Bohemian Rhapsody", feito dez anos atrás. Naquele tempo nossa aparência era completamente diferente – a idéia era recriar as poses e juntar as duas imagens, para mostrar como nós mudamos nesses dez anos.
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Bizz: Deve ser difícil para vocês, que já fizeram tantos vídeos, alguns tão bons…
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Deacon: (interrompendo) … e outros tão ruins… (risos)
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Bizz: …conseguir escapar do padrão, quando se tem que fazer algo novo, não é?
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Deacon: É duro, realmente, quando se é uma grande banda e precisa apresentar algo diferente. E com a música é ainda mais difícil…
Bizz: O único trabalho que vocês lançaram em 85 foi o single "One Vision". Por que isso?
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Deacon: Estivemos afastados do estúdio desde o último LP, Works. Geralmente, quando acabamos um disco, estamos com o saco tão cheio das gravações e do trabalho conjunto que sempre tiramos umas férias.
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Bizz: Então, 85 foi uma éspécie de período de férias coletivas?
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Deacon: Não realmente. Fizemos poucos shows, mas eles foram bem importantes. Fizemos duas apresentações no Rock in Rio, depois tocamos na Nova Zelândia, na Austrália, Japão, e voltamos à Inglaterra para tocar no Live Aid. Não foi um ano tão tranquilo assim.
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Bizz: Vocês têm se envolvido em projetos de discos solo e turnês sucessivas. Não fica difícil acomodar o trabalho do Queen no meio dessa situação?
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Deacon: Fica. Mas o que aconteceu de fato é que ao longo dos últimos anos começamos a ter sérias divergências internas. Os interesses do grupo têm ficado bem distanciados dos interesses individuais. Enquanto a banda segue sem prejudicar a saúde de seus integrantes não há necessidade de separação. Mas a situação está difícil, e é necessário que cada um saiba organizar bem seu tempo. Quando Freddie iniciou seu projeto solo, eu marquei bobeira e fiquei um tempão sem fazer nada. Nós ficamos a ver navios, o que foi muito chato…
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Bizz: Voltando ao single, ele parece ter sido um resultado imediato da apresentação do Live Aid.
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Deacon: Bem, talvez no contexto da letra, não sei… Não estive muito envolvido com a composição. Apesar da autoria ter sido creditada ao grupo todo, ela na verdade é dos outros três.
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Bizz: Isso não é muito usual, não? Você sempre teve grande responsabilidade no trabalho do Queen.
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Deacon: É, no passado era assim, quando as composições eram feitas individualmente.
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Bizz: E como estão os planos para o futuro?
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Deacon: Planos para o futuro? Bem, hoje já não somos tão organizados como há alguns anos, quando sabíamos o que iríamos fazer meses depois. Estamos fazendo a trilha sonora de Highlander, o segundo filme do diretor de vídeos Russell Mulcahy (autor de vários clips do Duran Duran). É uma fita muito interessante, com um visual soberbo, um bom roteiro e grandes atores – ela é estrelada por Sean Connery e Christophe Lambert.
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Bizz: E a próxima turnê?
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Deacon: Quando terminar o trabalho com o filme discutiremos o que fazer. Esse é o problema de um grupo quando ele faz muito sucesso. Todos têm planos individuais, e quando se vai decidir os rumos do grupo cada um tenta puxar a brasa para a sua sardinha. Eu particularmente acho que, depois da resposta do público no Live Aid, nós deveríamos partir para uma turnê ao invés de ficar mofando num estúdio. Tem gente na banda que acha melhor gravar outro disco e excursionar depois.
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Bizz: O que você acha dessa onda de shows beneficentes? As pessoas devem usar a música para causas políticas?
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Deacon: Acho que sim. Bob Geldof fez isso com o disco Do They Know It’s Christmas e depois com o Live Aid, e conseguiu chamar a atenção dos políticos para esses problemas. Achei ótimo o Live Aid causar uma reação generalizada em várias partes do mundo, um fenômeno sem precedentes e que levantou muita grana. É um jeito de fazer com que os músicos sejam ouvidos for a do âmbito musical.
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Bizz: O Queen participou de vários shows beneficentes, não foi?
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Deacon: Vários, mas nunca fizemos muita publicidade em cima. No último LP abrimos mão de alguns direitos autorais, mas nunca quisemos divulgar isso. Podemos nos dar ao luxo de doar alguns direitos para causas beneficentes. É algo que todos os membros do grupo acatam, apesar das divergências.
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Bizz: Quais causas você apoia?
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Deacon: Dou preferência a causas humanas, bem mais do que à defesa de animais e esse tipo de coisas. Eu também apoiaria causas em benefício da saúde mental.
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Bizz: O disco Works tem uma ligação com os anos 60, com os Beatles e com o início de carreira do próprio Queen. Como você enxerga esse trabalho em meio a todo esse revival, esse modismo de volta ao passado e ao rock antigo?
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Deacon: O jeito de se fazer música mudou muito nos últimos anos, principalmente por causa do avanço tecnológico. Eu gosto da atitude de pessoas que formam grupos, com quatro, cinco ou três membros, não importa, mas com um caráter de grupo, que grava e toca ao vivo com a mesma formação. Por isso gosto dessa volta aos velhos valores, de se privilegiar o grupo ao invés do aparato.
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Bizz: Mas os integrantes do Queen andaram seguindo direções diferentes, e havia rumores de que a banda iria acabar, principalmente na época do projeto solo de Freddie Mercury. Como está a situação?
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Deacon: Eu tenho uma visão simplista disso. Acho que um grupo deve fazer duas coisas: gravar e tocar ao vivo. Nós lançamos o single, e estamos fazendo música para um filme; estamos trabalhando juntos, portanto ainda somos um grupo. Não é como o Police, por exemplo. Eles continuam dizendo que estão unidos, mas não estão gravando ou tocando juntos.
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Bizz: Parece que o Queen não será convidado para o segundo Rock in Rio. O que você acha disso?
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Deacon: (surpreso) Eu não sabia. Só tinha lido nos jornais sobre as tentativas de se mudar o evento para São Paulo… Não sei, acho difícil promover um evento desses a cada dois anos. Mas se houver um esse ano gostaria muito de tocar lá de novo. Na primeira vez as condições são sempre especiais – todo mundo estava nervoso e apreensivo com a organização da coisa toda. Mas tudo correu muito bem.
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Bizz: A imprensa brasileira divulgou o evento como sendo um fato histórico. Você concorda com essa classificação?
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Deacon: Em termos de América do Sul eu acho que sim. E principalmente para o Brasil, porque foi uma coisa feita por brasileiros. Muitos viajaram de longe para ver o evento, o que demonstra que ele teve mesmo uma grande repercussão internacional.
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Bizz: Eu estava me perguntando por que mandaram você quando pedi para entrevistar o Queen…
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Deacon: É porque eu sou voluntário… (risos) Só por isso.
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Bizz: Os outros não dão entrevistas?
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Deacon: Já demos tantas que eu nem sei mais ao certo se os outros ainda gostam disso. O Roger é bom nisso, ele é bem tranquilo para entrevistas.
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Bizz: Acabamos de assistir ao clip de "One Vision". Ele é bem diferente dos anteriores, mais simples, direto, com vocês tocando no estúdio…
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Deacon: É, eu gosto desse clip. É uma mudança bem refrescante… Tínhamos feito alguns clips que não foram bem recebidos, e decidimos trocar de diretor e de conceito. Em vez de passarmos a impressão de estar tocando ao vivo, resolvemos tocar de verdade e aparecer assim no vídeo. Pusemos câmeras no estúdio em Munique enquanto estávamos gravando o single. Foi uma experiência estranha. Eu ficava meio nervoso sendo filmado enquanto tocava de verdade – foi mais ou menos como o lance dos Beatles no filme Let it Be. Mas correu tudo bem, e deu para gravar do jeito que imaginávamos. Além dessas imagens, o clip inclui cenas gravadas há algumas semanas em Londres. São cenas nas quais nos referimos a algumas imagens do vídeo de "Bohemian Rhapsody", feito dez anos atrás. Naquele tempo nossa aparência era completamente diferente – a idéia era recriar as poses e juntar as duas imagens, para mostrar como nós mudamos nesses dez anos.
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Bizz: Deve ser difícil para vocês, que já fizeram tantos vídeos, alguns tão bons…
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Deacon: (interrompendo) … e outros tão ruins… (risos)
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Bizz: …conseguir escapar do padrão, quando se tem que fazer algo novo, não é?
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Deacon: É duro, realmente, quando se é uma grande banda e precisa apresentar algo diferente. E com a música é ainda mais difícil…
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