Rock Imortal
Blog para os admiradores de rock e musica de qualidade em geral. Serão postados discos de bandas, artistas solo dos mais variados estilos como rock progressivo, hard rock, blues, jazz, pop rock, aor rock, disco 70s, punk, new wave e tecnopop. Comentários são muito bem vindos. Esse blog não publicara links de albuns oficiais, mas talvez publicará links de albuns "bootlegs". Bom divertimento e um abraço a todos !!!
segunda-feira, 6 de março de 2017
Entrevista com a Banda Circus Brasilis.
Quem atuou como porta-voz e representante da banda nesta entrevista, com a devida permissão dos demais membros, foi Marcelo Cavalcanti, membro-fundador, compositor e letrista do Circus Brasilis.
1. Nos conte um resumo sobre a história da banda, quando surgiu, quais as aspirações e
qual a atual formação?
1. Circus Brasilis surgiu há cerca de 10 anos, na cidade de São Paulo, quando Maurício
ainda me dava aula de violão. Chegou um momento em que, toda vez que ele me
passava um determinado exercício, eu chegava com uma letra, e ele sempre a achava
legal. Daí decidimos juntar minha facilidade para compor com a dele para criar linhas
melódicas, e aqui estamos, senhoras e senhores, Circus Brasilis!
A partir daí, ele começou a correr atrás de amigos músicos para completar a banda, que
já passou por várias formações, pois o pessoal ia desanimando com as dificuldades
geradas pela demora de “alcançar o sucesso”. Passaram pela banda quatro vocalistas,
três baixistas, dois bateristas e dois tecladistas. As frustrações foram tamanhas com todo
esse entra e sai de pessoas, esse para e volta da banda, que estamos pensando em seguir
apenas com três integrantes fixos: Maurício, Alexandre, que está conosco há cerca de
um ano, e eu. Os demais integrantes serão contratados como freelancers, de acordo com
a necessidade para completar a formação, pois a última coisa que precisamos é de gente
que desista no meio do caminho e nos deixe a pé novamente.
Quanto às aspirações, queremos conquistar o Brasil, formar uma legião de fãs circenses
roqueiros que curtam nosso trabalho, tocar de norte a sul, leste a oeste desta maravilhosa
Terra Brasilis e ajudar a recolocar o rock nacional no seu lugar de direito, o de
protagonista, pois essa coisa de espectador jamais combinou com a força do rock! Não
adianta ter um monte de bandas ótimas vivendo no subterrâneo, temos de reconquistar o
céu, a luz, pois gente boa existe aos montes e público ávido também, e o que precisamos é organizar tudo isso, revolucionar a cena musical brasileira.
2. Quais as principais influências da banda?
Nossas influências são várias, pois cada integrante tem gostos e características
individuais. Maurício, por exemplo, domina vários estilos musicais, mas a veia
blueseira pulsa mais forte em sua alma, por isso tem facilidade para criar solos com
muito sentimento.
Alexandre, por ser baixista de formação, embora seja roqueiro, já pende mais para o
jazz e o funk, mas o funk de verdade, e curte muito música folk também.
Já eu sou completamente influenciado pelo rock e folk britânicos da segunda metade
dos anos 1960 e primeira metade dos anos 1970, a era de ouro do rock’n’roll,
principalmente o Led Zeppelin, mas também destaco a força e a combatividade do U2
dos anos 1980 como influência extremamente inspiradora.
Dentro do Brasil, além das bandas de rock dos anos 1970 e 1980, como Secos &
Molhados, admiramos também a música nordestina, com destaque para a pernambucana
e a baiana, a música mineira barroca, com ênfase para o pessoal do Clube da Esquina, o
choro e o samba de raiz, aquele de Cartola, verdadeiras joias de nossa cultura. Mas
nosso cerne, nossa alma, é rock! Por isso o rock é tão interessante e duradouro; ele tem
o poder de aninhar dentro de si vários outros estilos, de vários outros paises, metamorfosear tudo e continuar sendo rock’n’roll!
3. Qual a sua opinião sobre essa podridão cultural que assola o país na música popular
atual?
O cálculo é simples. Tudo passa pela educação. Se você é político, egoísta, corrupto,
sem escrúpulos e tem um país imenso e extremamente rico à sua disposição, o que você
faz? Dá educação de primeira para o povo, fornece todos os nutrientes culturais
fundamentais para que ele possa formar seu amálgama crítico e intelectual, aprenda a
pensar livremente, andar com as próprias pernas e discernir entre o certo e o errado, ou
você tenta limitar, restringir o acesso a tudo isso, para que esse mesmo povo se
transforme em um rebanho dócil, de fácil manejo, que trabalhe a vida inteira para te
sustentar nababescamente sem reclamar, pois é incapaz de tomar as rédeas da própria
vida, já que não sabe o que quer nem aonde ir? Uma pessoa sem essa formação jamais
vai “ter saco” para ouvir todos os Concertos de Brandemburgo, de Bach, ou a 6 a
Sinfonia de Beethoven na íntegra. No máximo, vai gostar de um trecho aqui, outro ali,
jamais da obra inteira.
No rock vale essa mesma analogia para o progressivo, por exemplo, e suas longas
viagens sonoras. É muito mais fácil e exige muito menos do cérebro ouvir música pop
chiclete, que pula logo para o refrão e fica repetindo a mesma frase ad nauseum, do que
tentar imergir na clássica Thick as a Brick, do Jethro Tull, que ocupa sozinha todo o
álbum homônimo. Nessa época, fim nos anos 1960 até meados de 1970, o artista ou a
banda deveria mostrar qual era seu diferencial artístico, sua assinatura musical. Por isso,
brotavam artistas e bandas de extrema qualidade mundo afora – e o Reino Unido era o
berçário natural dos melhores e mais influentes –, com trabalhos absolutamente
fantásticos, extremamente criativos, com os maiores clássicos sendo compostos nessa época. Bandas como Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath e Uriah Heep, mesmo
que se identificassem por fazer rock pesado, soam completamente diferentes
estilisticamente. Já dos anos 1990 para cá, a assinatura deu espaço às fórmulas prontas,
com a imposição de fazer uma música mais parecida com a da banda tal que está em evidência, ou seja, o artista virou imitador, e não criador de uma obra.
Em resumo, quem domina a mídia cultural e musical, não só neste país mas em todo o
planeta, prefere e vai fazer de tudo para que você, como uma criança que aprendeu
recentemente a andar e a se comunicar, aprenda a cantar, tocar e ouvir a vida inteira
apenas músicas “Parabéns pra você”, bata palminha, rebole a bundinha, dê uns pulinhos
e “seja feliz”. Na mentalidade dos dominadores da mídia mundial, a fórmula para
compor um hit é a seguinte: o solo, que é a assinatura anímica da música, toma muito
tempo, ninguém entende o que o cara está fazendo, então corta. Música em tonalidade
menor, mais reflexiva e sentimental, também não, corta. Letras que fazem refletir, papo-
cabeça, também não, pois “não vamos dar pérolas a porcos”. Na cabeça deles, um hit
dever ser assim: ter uma frase de efeito, bem idiota, um refrão chiclete e uma levadinha
“chá com pão” de “no máximo” 3 minutos, e pronto, está composto um sucesso
musical! Ou seja, se seguido tal raciocínio na época, clássicos excepcionais e
fundamentais para o rock, como Stairway To Heaven (8:02) e The Rain Song (7:42), do
Led Zeppelin, e Bohemian Rhapsody (5:57), do Queen, só para citar alguns, não seriam
sequer lançados, porque são longas! E a espetacular, inspiradora e transformadora
beleza de cada uma delas, não importa? Só o tempo de duração?
É ou não é para rir? A filosofia de “quanto mais idiota, melhor” ou “quanto pior,
melhor” nunca esteve tão em voga!
Fato relevante e preocupante nesse processo é que a maioria do público atual
desaprendeu a “ouvir” música, pois foi amestrado a “ver” música! As pessoas estão se
esquecendo de desenvolver e apurar a audição, tudo tem de ser visual. O público não
mais presta atenção na qualidade da composição, e sim na do videoclipe. Essa onda da
celebridade instantânea fez com que vários artistas, para alavancar seu nome e
“bombar” seu trabalho, se sujeitem a qualquer coisa, criem vários factoides para se
manter em destaque nas mídias sociais, pois assim as pessoas vão “assistir” a seus
vídeos. Ou seja, o mais importante, que é a qualidade da música, vai lá pro terceiro ou quarto plano.
O tempo extremamente acelerado dos dias atuais, o excesso de informações que
bombardeiam nossos olhos a cada segundo, nem sempre vindas de fontes categorizadas
ou confiáveis, e o advento da filosofia speedwatching também em nada contribuem para
a qualidade da música, pois o artista precisa de tempo, além de inspiração, para poder
criar. Como o período de 24 horas não dá para nada, o ser humano vai cada vez mais se
afastando do seu eu interior, do seu lado espiritual, do natural, da natureza, do abstrato,
e está se criando uma geração extremamente ansiosa, concreta, estressada por
obrigações e informações, automatizada, semirrobotizada, que consome e descarta tudo
de forma quase instantânea, sem aprofundamento, pois não pode perder muito tempo
com algo, pois amanhã já ficou velho. Assim não há mais a preocupação de construir
uma base sólida, deixá-la maturar, respeitando o tempo certo, depois lapidar e só então
finalizar a obra, pois é preciso vender, vender e vender urgentemente, como se não
houvesse amanhã. Se tal coisa não vendeu hoje, amanhã é descartada, e joga-se outra
“celebridade” aos leões, ou seja, é a filosofia panis et circensis (pão e circo) do século XXI.
4. Você disse que a banda já sofreu punições no Facebook. Comente um pouco sobre
isso.
Não é que a banda “já sofreu” punições do Facebook, ela “continua a sofrer”
punições! Convivemos diariamente com dificuldades para enviar postagens, restrições e
bloqueios. Por exemplo, neste exato momento em que participo desta entrevista, a
banda se encontra há alguns dias impedida de postar nossas músicas e deixar qualquer
comentário em quaisquer dos grupos de rock para os quais a Circus Brasilis foi devidamente convidada, aceita e liberada pelos respectivos administradores, que curtem
nosso trabalho, para interagir com seus membros. Cadê a democracia? Onde está a tal
propalada liberdade?
As redes sociais são o único meio de bandas como a nossa, que trabalha duro em busca
de um lugar ao sol e não tem gente nem mídia influentes por detrás, conseguir mostrar
seu trabalho às pessoas, sem precisar pagar jabá e coisas do tipo. Não é possível que
qualquer pessoa que não goste de qualquer coisa que esteja escrita ou em forma de
imagem tenha o poder de denunciar, bloquear e calar você! Já sofremos dezenas de
punições, o que nos custou mais de dois meses de trabalho de divulgação. Quantas
novas visualizações e curtidas perdemos nesse período? Quantas novas pessoas
deixamos de atingir, o que restringe a nossa base de público? Como mensurar o prejuízo
disso tudo no futuro de uma banda em processo de solidificação de imagem e carreira?
Fora a “Oração dos Excluídos”, todas as demais músicas sofrem perseguições de todo
tipo, inclusive impedimento de publicação por denúncias contra o conteúdo – “O
Xadrez de Brasília”, “No Reino do Colarinho-Branco”, “Circus Brasilis” e “O Lado
Sombrio”, nesta ordem. O engraçado é que músicas inteligentes, com letras que buscam
abrir os olhos das pessoas e retratam fielmente a atual situação sociopolítica do país, são
abusivas e merecem todo tipo de punição e perseguição, sem possibilidade sequer de
defesa, enquanto é permitida a apologia a coisas como sexo explícito, desvalorização da mulher, pedofilia, terrorismo, drogas etc. Alguma coisa está errada nesse processo.
Parem o mundo que eu quero descer!
5. Deixe uma mensagem final para os leitores do blog e aproveite para deixar seus
contatos, redes sociais etc.
O Brasil e o mundo estão passando por um período de extrema mudança de
paradigmas. No caso do nosso país, há um grupo de patriotas jovens e idealistas que
está, a duras penas e sob extrema pressão das sanguessugas que se recusam a largar das
tetas do poder, desenvolvendo um trabalho lindo em defesa de uma nova nação,
tentando combater o grande entrave que impede nosso desenvolvimento: a corrupção.
Eles estão precisando demais do apoio de cada um dos brasileiros que não suportam
mais ser dilapidados e prejudicados por essa corja de criaturas nefastas.
Por isso vamos trabalhar duro e lutar por um país melhor, menos desigual e mais justo.
Vamos dar um xeque-mate em todos os que se fizeram à custa da desgraça do próprio
povo, mas vamos fazer isso de forma inteligente, perspicaz, sem violência, sem destruir
obras nem patrimônios públicos, pois os custos para a reconstrução vão sair de nossos
bolsos.
Em relação à cena musical, conclamo a grande nação roqueira a sair dos guetos, do
subterrâneo, e voltar à luz! É preciso se organizar para voltar a criar uma cena musical
forte que faça com que o rock nacional ocupe novamente lugar de destaque, de
protagonismo, como já ocupou nas décadas de 1970 e 1980. Quanto ao Circus Brasilis,
esperamos ganhar mais espaço e alcançar cada vez mais pessoas para que possamos
mostrar nosso trabalho e, com a ajuda e a bênção de todos os legionários do rock, ter vida longa. Pois o Circus Brasilis está chegando... e pra ficar!
CONTATOS
Facebook: https://www.facebook.com/circusbrasilis/
YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCLtvgZTmlirfUJ3j2xHt1sQ
E-mail: circusbrasilis@gmail.com
Twitter: @Circus_Brasilis
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
Led Zeppelin - Houses of The Holy - 1973.
| 1. | "The Song Remains the Same" | 5:32 | |
| 2. | "The Rain Song" |
| 7:39 |
| 3. | "Over the Hills and Far Away" |
| 4:50 |
| 4. | "The Crunge" |
| 3:17 |
| Side two | |||
|---|---|---|---|
| No. | Title | Writer(s) | Length |
| 5. | "Dancing Days" |
| 3:43 |
| 6. | "D'yer Mak'er" |
| 4:23 |
| 7. | "No Quarter" |
| 7:00 |
| 8. | "The Ocean" |
| 4:31 |
Led Zeppelin.
Robert Plant - lead vocals.
Jimmy Page - guitars.
John Paul Jones - bass guitar and melotron.
John Bonham - the drums.
A banda lançou seu primeiro disco no começo de 1969, apresentando um hard rock pesadíssimo e revolucionário para a época, com um blues eletrificado sensacional, alias, o segundo disco tambem de 69 vai na mesma vibe. Plant mandando uns agudos da hora, Page com riffs e solos matadores, Jones seguro na marcação do baixo, com competência e não se limitando apenas a marcar o tempo, seu baixo tem personalidade, e na bateria temos o elefente John Bonham, que toca com um enorme peso e potência, o som de seus tambores, em especial o bumbo, é tronitoante.
O terceiro disco do Led, lançado em 1970, já vai mais na linha do folk rock, com deliciosas nuances acústicas, mas mantendo o peso habitual em algumas faixas.
Enfim vamos analisar o disco em questão, Houses of The Holy, lançado em 1973.
O disco apresenta uma enorme diversificação de estilos, indo do hard-metal, ao prog, folk com passagens acústicas, passando pelo reggae e até funk de The Crusher.
O disco é todo excelente do começo ao fim, destacando Rain Song, uma musica emocionante com dedilhados lindos de violão mixando-se com um timbre belo e melancólico do melotron de Jones. No Quarter é uma levada bem legal com piano elétrico, com todos os músicos e o vocal de Plant soberbo, em uma canção épica. A abertura do disco com The Song Remains the Same abre com grande estilo, em uma introdução excepcional, ao entrar a parte com vocal a musica se torna mais lenta, mas é bela em todas as partes. O reggae de Dyer MaKeer conseguiu fazer eu, um cara que não curte o estilo, gostar dessa faixa, tamanha a competência da banda.
Enfim, Houses of The Holy ser ou não o melhor disco da banda vai do gosto de cada um, porém é inquestionável que é um belo clássico do rock.
Se você ainda não conheçe, corra atrás com prioridade....é um disco obrigatório.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Entrevista com a Banda Pedra.
1- Qual a origem do nome da banda, "Pedra", e quem sugeriu o nome ?
Xando Zupo : Queríamos um nome fácil de guardar, que remetesse à algo em estado puro (no caso foi um mineral), que desse idéia de solidez e que tivesse toda essa pluralidade de interpretações, que remetem e encaixam perfeitamente na mesma pluralidade de elementos que as músicas tem. A idéia principal da banda é que façamos música sem rótulos, mesmo que haja uma intensidade e pegada de rock constante, existem elementos de soul music, progressivo, pop, funk (de verdade), Mpb e até baião. O nome trazia tudo isso agregado, a solidez e o estado bruto.
Luiz Domingues : Concordo com todas as observações do Xando e só acrescento que pensamos também na praticidade de uma palavra sonora, de fácil assimilação para as pessoas. Rodrigo Hid : "Pedra" é um nome simples e todo mundo sabe o que é. Não possui um significado oculto. Ivan Scartezini : E não tem absolutamente nenhuma ligação com os "Stones".
2- Tem previsão do disco novo de estúdio, e se sim, pode falar algo sobre algumas faixas ? Rodrigo Hid : Pretendemos lançar o novo disco no segundo semestre desse ano. O nome já foi escolhido mas ainda é surpresa. Nesse novo lançamento o PEDRA segue sua tradicional linha de "não ter linha", fazemos música livre de rótulo. Algumas músicas novas já vêm sendo executadas ao vivo, como "Luz da nova canção" e "Os teus olhos". Xando Zupo : Rodrigo disse tudo Luiz Domingues : Observo que neste disco teremos um volume maior de músicas, visto que o material novo surgiu de forma espontânemente numeroso. Se estivéssemos na década de setenta, eu diria que estamos diante de um álbum duplo.
3- Qual a sua opinião sobre os discos já lançados, existe alguma ou algumas faixas que deixou a desejar na sua visão, tipo, poderiam ter rendido melhor ? Xando Zupo : Essa questão render ou não render melhor é algo difícil de se medir. Um álbum é uma fotografia de um momento da banda. É claro que existem faixas com as quais eu não tenho mais a identificação que tinha quando gravamos mas o negócio é sempre ir em frente e melhorar o placar. Ivan Scartezini : O que acontece geralmente é que depois de gravada, você ouve tantas vezes a faixa no processo de mixagem, e depois executando ao vivo, que ocorre uma lapidação natural em certas passagens e concepções que não lhe ocorreram no momento da gravação, mas no geral eu curto praticamente tudo registrado por nós pela espontaneidade do take. Luiz Domingues : Isso vai muito do grau de preciosismo de cada um e também há de ser considerada a questão dos avanços da tecnologia. Será que o George Martin fica elocubrando sobre cada take que comandou para os Beatles, pensando nesses termos ? Ele enlouqueceria, sem dúvida. Acredito que sim, sempre pode ficar melhor, mas o artista e/ou produtor, tem que estabelecer um limite, para buscar uma objetividade que faça o martelo final ser batido. Rodrigo Hid : Acho que assim como o público, a banda também têm suas músicas preferidas e isso normalmente influi na escolha do repertório do show. Mas acredito que no geral todas renderam o suficiente.
4- Quais são suas influências musicais ?
Ivan Scartezini : Basicamente os bateras (e as bandas) dos anos 60 e 70, o que daria uma lista imensa. Mitch Mitchell, John Bonham, Keith Moon, Bill Bruford e Carmine Appice, só para citar alguns. Da atualidade eu gosto MUITO do Matt Abts do Gov´t Mule. Rodrigo Hid : As mais diversas: ROCK, MPB, JAZZ, SOUL, etc. Luiz Domingues : Rock, MPB, Soul, R'n'B, Funk (o de verdade...), Folk, Erudito, Jazz, Trilhas de Cinema, quase tudo dos anos 60 e 70 principalmente, mas curto também pop dos anos 20 aos 50 do século passado. Xando Zupo : Como compositor, absolutamente tudo o que vc puder imaginar pode exercer alguma influência e o som do Pedra, aberto como é, comprova isso. Acho que todos da banda pensam dessa forma. Como guitarrista minhas influências mais fortes e que me moldaram principalmente nos primeiros anos de estrada foram Ritchie Blackmore, Jeff Beck, Eddie Van (hehe), Paul Kossof, mas esse ano completo 30 anos de guitarra e eu nem sei mais por onde começar ou terminar essa lista.
5- Tem algum material oficial com boa qualidade de gravação ao vivo do Pedra, fora supostos bootlegs gravados com aparelhos amadores por fans ?
Xando Zupo : Alguns videos no you tube oficial tem uma boa qualidade de audio mas nada comparavel a algum live oficial. Pretendemos fazer algo assim após o lançamento do terceiro album. Luiz Domingues : Tem muito material de ensaios, shows ao vivo, fora os videos que o Xando citou. Dá para montar futuros "Anthology", do Pedra... Rodrigo Hid : Ainda não, mas já temos planos para lançar um "Ao vivo".
6- Qual sua opinião sobre a atual cena independente das bandas no Brasil ?
Xando Zupo : Nenhuma. Existem algumas boas bandas que conheço, existem outras boas que não conheço e tem um monte de merda em volta, ou seja, nada diferente do que sempre foi. Não penso em termos de cena ou não cena. Faço minhas músicas, gravo quando tenho algo a gravar, toco minha guitarra e é isso. Luiz Domingues : Cuidamos de nossa vida e nesse sentido, não fazemos parte de nenhuma "associação", cooperativa" ou coisa que o valha. Nosso negócio é fazer música e nada mais. Mas se você me perguntar se gosto de algumas bandas independentes, digo-lhe que sim, conheço muitas e de extrema qualidade. Rodrigo Hid : Há ótimas bandas na cena, porém o que falta é uma formatação mais sólida e profissional da cena em si. Ivan Scartezini : Minha impressão é de que as coisas mais legais estão no underground e as merdas bombando.
7- Grato pela entrevista, e deixem uma mensagem final aos fans.
Luiz Domingues : Muito obrigado pela oportunidade. Saúdo este Blog, que abre espaço democrático para artistas independentes como nós, cada dia com menos chances de exposição na imprensa mainstream. E para os fãs do trabalho, aguardem que um novo disco está chegando com muitas novidades. Xando Zupo : Obrigado pelo espaço dado a nós, Edu. Espero que curtam nosso som e apareçam nos shows. Estejam sempre meio longe do chão.... abs. Ivan Scartezini : Valeu, Edu. Um forte abraço à você e aos nossos fãs. Pedra na cabeça ! Rodrigo Hid : Valeu Edú, forte abraço. Uma mensagem aos fãs? "Para o alto, e AVANTE !!!". Abraços !!
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Xando Zupo : Queríamos um nome fácil de guardar, que remetesse à algo em estado puro (no caso foi um mineral), que desse idéia de solidez e que tivesse toda essa pluralidade de interpretações, que remetem e encaixam perfeitamente na mesma pluralidade de elementos que as músicas tem. A idéia principal da banda é que façamos música sem rótulos, mesmo que haja uma intensidade e pegada de rock constante, existem elementos de soul music, progressivo, pop, funk (de verdade), Mpb e até baião. O nome trazia tudo isso agregado, a solidez e o estado bruto.
Luiz Domingues : Concordo com todas as observações do Xando e só acrescento que pensamos também na praticidade de uma palavra sonora, de fácil assimilação para as pessoas. Rodrigo Hid : "Pedra" é um nome simples e todo mundo sabe o que é. Não possui um significado oculto. Ivan Scartezini : E não tem absolutamente nenhuma ligação com os "Stones".
2- Tem previsão do disco novo de estúdio, e se sim, pode falar algo sobre algumas faixas ? Rodrigo Hid : Pretendemos lançar o novo disco no segundo semestre desse ano. O nome já foi escolhido mas ainda é surpresa. Nesse novo lançamento o PEDRA segue sua tradicional linha de "não ter linha", fazemos música livre de rótulo. Algumas músicas novas já vêm sendo executadas ao vivo, como "Luz da nova canção" e "Os teus olhos". Xando Zupo : Rodrigo disse tudo Luiz Domingues : Observo que neste disco teremos um volume maior de músicas, visto que o material novo surgiu de forma espontânemente numeroso. Se estivéssemos na década de setenta, eu diria que estamos diante de um álbum duplo.
3- Qual a sua opinião sobre os discos já lançados, existe alguma ou algumas faixas que deixou a desejar na sua visão, tipo, poderiam ter rendido melhor ? Xando Zupo : Essa questão render ou não render melhor é algo difícil de se medir. Um álbum é uma fotografia de um momento da banda. É claro que existem faixas com as quais eu não tenho mais a identificação que tinha quando gravamos mas o negócio é sempre ir em frente e melhorar o placar. Ivan Scartezini : O que acontece geralmente é que depois de gravada, você ouve tantas vezes a faixa no processo de mixagem, e depois executando ao vivo, que ocorre uma lapidação natural em certas passagens e concepções que não lhe ocorreram no momento da gravação, mas no geral eu curto praticamente tudo registrado por nós pela espontaneidade do take. Luiz Domingues : Isso vai muito do grau de preciosismo de cada um e também há de ser considerada a questão dos avanços da tecnologia. Será que o George Martin fica elocubrando sobre cada take que comandou para os Beatles, pensando nesses termos ? Ele enlouqueceria, sem dúvida. Acredito que sim, sempre pode ficar melhor, mas o artista e/ou produtor, tem que estabelecer um limite, para buscar uma objetividade que faça o martelo final ser batido. Rodrigo Hid : Acho que assim como o público, a banda também têm suas músicas preferidas e isso normalmente influi na escolha do repertório do show. Mas acredito que no geral todas renderam o suficiente.
4- Quais são suas influências musicais ?
Ivan Scartezini : Basicamente os bateras (e as bandas) dos anos 60 e 70, o que daria uma lista imensa. Mitch Mitchell, John Bonham, Keith Moon, Bill Bruford e Carmine Appice, só para citar alguns. Da atualidade eu gosto MUITO do Matt Abts do Gov´t Mule. Rodrigo Hid : As mais diversas: ROCK, MPB, JAZZ, SOUL, etc. Luiz Domingues : Rock, MPB, Soul, R'n'B, Funk (o de verdade...), Folk, Erudito, Jazz, Trilhas de Cinema, quase tudo dos anos 60 e 70 principalmente, mas curto também pop dos anos 20 aos 50 do século passado. Xando Zupo : Como compositor, absolutamente tudo o que vc puder imaginar pode exercer alguma influência e o som do Pedra, aberto como é, comprova isso. Acho que todos da banda pensam dessa forma. Como guitarrista minhas influências mais fortes e que me moldaram principalmente nos primeiros anos de estrada foram Ritchie Blackmore, Jeff Beck, Eddie Van (hehe), Paul Kossof, mas esse ano completo 30 anos de guitarra e eu nem sei mais por onde começar ou terminar essa lista.
5- Tem algum material oficial com boa qualidade de gravação ao vivo do Pedra, fora supostos bootlegs gravados com aparelhos amadores por fans ?
Xando Zupo : Alguns videos no you tube oficial tem uma boa qualidade de audio mas nada comparavel a algum live oficial. Pretendemos fazer algo assim após o lançamento do terceiro album. Luiz Domingues : Tem muito material de ensaios, shows ao vivo, fora os videos que o Xando citou. Dá para montar futuros "Anthology", do Pedra... Rodrigo Hid : Ainda não, mas já temos planos para lançar um "Ao vivo".
6- Qual sua opinião sobre a atual cena independente das bandas no Brasil ?
Xando Zupo : Nenhuma. Existem algumas boas bandas que conheço, existem outras boas que não conheço e tem um monte de merda em volta, ou seja, nada diferente do que sempre foi. Não penso em termos de cena ou não cena. Faço minhas músicas, gravo quando tenho algo a gravar, toco minha guitarra e é isso. Luiz Domingues : Cuidamos de nossa vida e nesse sentido, não fazemos parte de nenhuma "associação", cooperativa" ou coisa que o valha. Nosso negócio é fazer música e nada mais. Mas se você me perguntar se gosto de algumas bandas independentes, digo-lhe que sim, conheço muitas e de extrema qualidade. Rodrigo Hid : Há ótimas bandas na cena, porém o que falta é uma formatação mais sólida e profissional da cena em si. Ivan Scartezini : Minha impressão é de que as coisas mais legais estão no underground e as merdas bombando.
7- Grato pela entrevista, e deixem uma mensagem final aos fans.
Luiz Domingues : Muito obrigado pela oportunidade. Saúdo este Blog, que abre espaço democrático para artistas independentes como nós, cada dia com menos chances de exposição na imprensa mainstream. E para os fãs do trabalho, aguardem que um novo disco está chegando com muitas novidades. Xando Zupo : Obrigado pelo espaço dado a nós, Edu. Espero que curtam nosso som e apareçam nos shows. Estejam sempre meio longe do chão.... abs. Ivan Scartezini : Valeu, Edu. Um forte abraço à você e aos nossos fãs. Pedra na cabeça ! Rodrigo Hid : Valeu Edú, forte abraço. Uma mensagem aos fãs? "Para o alto, e AVANTE !!!". Abraços !!
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terça-feira, 22 de novembro de 2011
Rádio de Classic Rock.
Vejam um endereço de radio que toca rock clássico.
Recomendadíssimo.
rstradiorock.com.br
Recomendadíssimo.
rstradiorock.com.br
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Entrevista com Dinho Ouro Preto.
O Capital Inicial de hoje é melhor do que o do início da carreira?
Dinho - Eu acho que ele tem menos excessos. E isso é uma coisa que é um problema para a banda. Você vai acumulando maneirismos ao longo dos anos. Acho que graças à separação, nós conseguimos nos livrar um pouco disso. Eu ouço os primeiros discos e acho tudo muito excessivo. Produção demais, teclados demais, vocal demais. Eu acho que a gente aprendeu a controlar isso tudo.
Estamos melhor. Principalmente este disco que a gente lançou antes do acústico, o "Atrás dos Olhos". Eu acho esse disco o nosso melhor trabalho. A gente só tinha conseguido atingir essa simplicidade, ir direto ao assunto, somente no primeiro disco. O resto ficou meio barroco, com excesso de tudo
Vocês não percebiam esses excessos na época?
A gente cometeu um grande erro nos anos 80, não quero culpar ninguém, mas a entrada do Bozo descaracterizou muito a banda. A gente levo muito tempo tentando equacionar a entrada dele e acho que até hoje não conseguimos resolver isso direito. Eu acho que a volta do Capital é a volta como quarteto. Aliás, os nossos melhores discos foram gravados como quarteto.
Mas foram vocês que o convidaram para a banda.
Sim. Foi. Por isso a culpa foi toda nossa. Ele não tem culpa de nada, ele aceitou e tudo bem. A culpa foi inteira nossa. Ele era um músico letrado, que tinha se formado na ECA, tinha tocado com Arrigo Barnabé, ele era semi-erudito. E a gente era uma banda punk, que aprendeu tocando dois acordes. Não poderia dar certo. E não deu.
Por que você saiu da banda em 1994? Qual foi o motivo do racha entre vocês?
Já rolava uma estafa entre a gente. Já estávamos juntos desde os 19 anos, passamos por tudo, altos e baixos. Eu também queria tocar com outras pessoas, fazer outras coisas da vida. Acho que todos nós tínhamos uma certa dúvida existencial quanto ao Capital, não sabíamos direito para onde ir. E eu acho que quando a gente não sabe o que dizer, é melhor não dizer nada. Não que isso fosse deliberado, mas olhando para trás, acho que a gente fez a coisa certa em parar. Foi a melhor coisa que a gente fez. E parte do que está acontecendo agora é fruto desses cinco anos de silêncio. Tanto quanto a relação entre nós como a nossa relação com o público. Deu para pensar na vida, pensar na nossa música. Amadurecemos, tanto eu quanto a banda passamos por muitas dificuldades. Eu fiquei solo. Eu fiquei solo e independente nesses cinco anos e tudo foi muito difícil. Tudo. Gravar, fazer vídeo, todo o trabalho era mais difícil. Quando você passa por isso, ganha uma nova consciência, aprende a se virar sozinho. Me ensinou muito, passei a moderar as expectativas.
A relação entre os membros da banda voltou fortalecida?
Cara, a nossa amizade foi salva. Foi recuperada. A gente teve que cavar e varrer muita coisa para debaixo do tapete. Percebemos que maior do que qualquer um é a banda. Não ficamos mais embriagados com o sucesso e outras coisas que vem com ele. Sabemos que tudo é efêmero. A conseqüência é que nos damos muito melhor agora do que antes. Existe um respeito muito maior entre a gente.
O projeto do disco acústico já estava nos planos da banda desde a volta?
Sim e não. Existia a idéia de fazer um disco ao vivo. A gente nunca tinha feito um juntos e, fatalmente, um dia isso ia acontecer. A gente não sabia bem o formato, tínhamos duas alternativas: lançar um disco de rock mais pesado ou encarar o desafio de um acústico. Nós achamos que o acústico era melhor por inúmeras razões, entre elas, a própria visibilidade do projeto. Sabíamos que era um formato altamente vendável e vencedor. Mas quando eu digo isso, nem eu, nem gravadora, nem a MTV e muito menos a banda, esperava por essa repercussão. Todo mundo foi surpreendido pelo que aconteceu. E eu acho que isso acabou sendo uma vantagem. Entramos em campo sem nenhuma expectativa.
Mas vocês também pretendiam resgatar alguns velhos hits para o público novo que vocês acabaram conquistando com a volta?
Cara, a nossa maior preocupação, o nosso maior medo quando essa história começou, pelo menos o meu maior medo era que isso fosse visto com uma onda nostálgica. Que fosse uma coisa tipo "vamos lembrar como eram legais os anos 80" ou "jovem também tem saudade". O meu maior medo é que o disco tivesse essa característica. Por isso a gente botou várias músicas novas, como "Natasha", "Tudo Que Vai"... E conseguíamos o que queríamos, que era falar para a moçada e não para gente da minha idade. É o que vem acontecendo. A média de idade do público que vai aos nossos shows é de 16, 17 anos. Eu considero isso uma vitória.
Só que um lançamento desse não consegue esconder o clima de oportunismo.
E eu acho que em alguns casos, são oportunistas. Mas eu costumo dizer para as pessoas que sugerem que nós fomos oportunistas, que a gente voltou com um disco novo, antes, cheio de inéditas. Queremos virar a página do acústico o quanto antes. Devemos estar entrando em estúdio no começo do próximo semestre. Ou seja, não temos nada a ver com essa onda de nostalgia. As músicas que mais tocaram no rádio, que foram extraídas do acústico, eram músicas novas. E se uma banda não consegue mais compor ou apresentar novas idéias, não merece muita consideração, o que não é o nosso caso.
foto de Priscila Prade
Você não acha que banda de rock tem que durar pouco para não cair no ridículo?
Eu discordo. Tem várias bandas boas que estão há anos fazendo bons trabalhos. E, principalmente, eu acho que não existem regras no rock. Tem exemplos nos dois sentidos. Tem bandas-relâmpago maravilhosas, como o Sex Pistols e o Nirvana e tem bandas mais longas, como o Rolling Stones e o Aerosmith, que são ótimos. O segredo é você conseguir compor e apresentar novas idéias. Se você pegar o "Tatto You", que eu acho um dos melhores discos dos Stones, eles já tinham 20 anos de carreira. Nem tudo que é novo é bom e nem tudo que é velho é ruim.
É que algumas bandas envelhecem melhor ou pior do que outras. E tem aquelas bandas que vivem só do passado, como, por exemplo, o Deep Purple. Você vai ao show dos caras só para ouvir o "Machine Head", que é um disco de mais de 20 anos.
E você também pode envelhecer com dignidade. É só não ficar embarcando no último modismo. Você tem que abraçar o que sempre fez. Um exemplo é a volta do Echo & The Bunnymen, que é do caralho. Os discos recentes deles são sensacionais. Eu acho um erro o Clash não voltar. Todos estão inteiros, relativamente moços, não sei porque não voltam a tocar, são uma puta banda.
Por que o rock nacional perdeu espaço nos anos 90? As bandas estabelecidas perderam o gás? Ou não houve uma segunda geração?
Um pouco de tudo. Mas eu acho que houve uma segunda geração que nos sucedeu, como Raimundos, Planet Hemp, o Rappa, acho que é um pessoal bem anos 90.
Acredito que existia uma crise de identidade entre a nossa geração. Tudo isso coincidiu com a ascensão do grunge e no Brasil de bandas como Raimundos e o Rappa. Acho que de um certo modo, teve uma crise de consciência em quase todo mundo da minha geração. Várias bandas perderam. Foi o fundo do poço para todos, até os grandões como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Titãs, passaram por essa crise.
Todo mundo ficou com a auto-estima bem abalada no começo dos anos 90. Foi como se cada um de nós achasse que tinha se corrompido. Ou virado o inimigo. As coisas que a gente apontava como defeito aos outros, no começo da nossa carreira, foi o que acabamos virando. Com o passar dos anos, essa avaliação severa que nós fazíamos de nós mesmos, mudou. Falando por mim, a avaliação super séria que eu tinha do Capital, do que a banda tinha virado, eu já não acho mais hoje. Eu sou menos maniqueísta. Acho bacana muita coisa que a gente fez. Não é tudo lixo, que tem que jogar fora, como eu pensava nos anos 90.
Esta crise de identidade explica o fato de vocês terem mudado bastante de perfil, passando por eletrônicos, depois grunge, depois metal, aí acabaram...
Sim. Estas mudanças foram causas da entrada do Bozo, também. O Capital em determinados momentos passou por uma crise existencial muito forte, seguida de uma crise de identidade que já existia há anos. E também existia a eterna comparação com a Legião. Essa comparação fez com que a gente entregasse os pontos. Chegou um momento em que todo mundo falou "foda-se". Aí resolvemos virar ídolos a qualquer preço.
Assim que você saiu do Capital, você disse que não conseguia enxergar uma personalidade na banda, que vocês viviam atrás da Legião. E agora? Você enxerga uma personalidade no Capital?
Sim. A gente se desenvolveu ao longo dos anos. Agora, eu vejo um estilo, uma personalidade bem resolvida. Mas a gente levou 10 anos para alcançar isso. A ligação com o Renato e a Legião era intestinal, visceral. O Fê e o Flávio aprenderam a tocar no Aborto Elétrico. Eu aprendi vendo eles tocarem. O Dado é meu irmão e o Bonfá meu melhor amigo, nós crescemos juntos. Foi difícil romper esse cordão umbilical e caminhar com as próprias pernas.
Por que a sua carreira solo não decolou?
Eu estava numa gravadora independente, que é o selo do Dado (Villa Lobos, ex-Legião, e o selo é o Rock It!). Ambos não tinham dinheiro. Acho que as pessoas ouviam o meu disco e falavam, "isso é Capital!". Viviam dizendo, "é igualzinho, por que você saiu então?". Não viam nenhum propósito e eu acho que essas pessoas tinham razâo. Mas eu gosto do meu disco solo, acho que é um dos meus melhores trabalhos. Tive a oportunidade de trabalhar com o Suba, que foi um grande produtor. Mas aquilo poderia ter sido feito com o Capital, não precisava ter saído.
Qual foi a importância da cena de Brasília para o rock nacional?
Eu acho que é a mais importante cena roqueira do país. A única cidade que pode se rivalizar com Brasília é Porto Alegre. Em São Paulo tinha várias cenas isoladas, o Ira! era mod, o Inocentes era punk, os Titãs eram pop, o Ratos do Porão era hardcore, cada banda era uma coisa diferente, cada banda era uma ilha. Em Brasília, como em Porto Alegre, existia uma unidade. Unidade de referências, de origens, nos discursos...
Não sei se atribuiria o sucesso do rock brasileiro à cena de Brasília, mas é uma cena crucial na história do rock nacional. Em todo o momento, dos anos 80 para cá, sempre existiu uma banda de Brasília entre as maiores do país.
Por que a crítica especializada gosta de massacrar o rock nacional, principalmente as bandas dos anos 80?
Se você perceber um padrão nessas críticas, vai ver uma coisa engraçada. Eles sempre estão falando muito bem de alguém e, aproveitam, para alfinetar o rock brasileiro. Dizem coisas como "dentro desse roquinho nacional, essa é uma coisa que se destaca". Para falar bem de alguém tem que falar mal do rock brasileiro.
Mas a crítica restringe-se apenas ao rock nacional e a MPB. Eles não se dignam a analisar os gêneros mais populares – como a música sertaneja, o axé e o pagode – esses são completamente ignorados. Se eles se preocupam com a gente, ok, significa que nós temos importância.
Por que a volta de bandas veteranas como vocês e o Ira!? Não há nada novo que preste?
Não, existem bandas novas muito boas. E o bacana é que a gente está co-existindo com essas bandas novas. Rappa, Planet Hemp, Raimundos, Jota Quest, Rumbora, Pato Fu, Skank, são bandas legais pra caralho que estão indo super bem. E nós estamos co-existindo com eles. No Brasil isso é um a coisa nova, mas lá fora isso é bem normal. Um garoto vai ao show do Offspring e do Aerosmith com o mesmo prazer. Não existe isso de uma geração ou outra
Existem diferenças entre ser um artista popular e fazer música pop?
Sim. A gente não tem acesso aos veículos populares. Não entramos nas grandes rádios, temos dificuldades de entrar na Globo. Nós fazemos música pop mas não somos populares.
E nós não temos pudores. Eu faço o que for preciso pelo rock nacional e pela minha música. A gente faz música para os nossos veículos. Mas, se uma rádio popular me convidar, ou algum programa de TV, eu vou. Mas vou nos meus termos. Eu vou para tocar a minha música. O Brasil tem uma mania muito anti-social. Não adianta fingir que estamos no Primeiro Mundo. Se a gente ficar restrito a 89FM e a MTV, a nossa música só será ouvida pela classe média branca. É legal sair desse castelo de mármore. E se você quer mostrar o rock brasileiro para o povo, tem que abraças todas as oportunidades que lhe são oferecidas.
Mas ainda existem pessoas pré-dispostas, no grande público consumidor, a conhecer o rock nacional?
O perfil dessas pessoas mudou dos anos 80 para cá. A molecada de hoje é menos intransigente do que a gente era. Com a gente não tinha muita conversa. Hoje, o mesmo cara que gosta de forró, gosta de Capital. O cara gosta de Raimundos,Capital, Falamansa... É um cara muito mais tolerante do que a gente nos anos 80.
E você acha isso legal?
Não muito (cai na gargalhada) ... Confesso que sou intolerante. É uma das minhas manias. Em relação a tudo na vida, menos música, eu sou tolerante. Ainda acho que a segmentação é uma coisa positiva. Acredito que a segmentação é o melhor caminho para todos os gêneros musicais no Brasil.
E o novo disco do Capital?
Estou começando a compor. Já existem umas cinco bases prontas. Em janeiro eu vou entrar em estúdio. Eu queria chegar em março com as bases todas prontas para já começar a pré-produção. Se tudo der certo assim, sai em junho. Mas já antecipo que vai ser bem cru, pesado, uma banda de rock básico.
Dinho no Rock In Rio 3 - Foto de Marcelo Rossi
E o seu livro sobre a cena de Brasília? Em que pé que está?
O livro está em um disquete. Assim que assentar um pouco a poeira do acústico, acho que no final do ano, eu vou retomá-lo. Não dá tempo de escrever. Só este ano a gente fez 120 shows e eu ainda tenho duas crianças pequenas em casa. Fica impraticável. Mas se tudo der certo também eu o lanço em junho, junto com o novo disco do Capital. O problema é que escrever o livro está se mostrando muito mais difícil do que eu pensava. E eu estou escrevendo de um modo totalmente caótico, eu conto as histórias da maneira que eu vou lembrando.
Você leu o "Diário da Turma", do Paulo Marchetti?
Sim, inclusive está bem aqui na minha mesa. Eu achei legal, mas o meu não é bem isso. A minha história se passa antes, o livro acaba quando as bandas começam. As bandas, eu falo, quero dizer a Legião Urbana e o Capital Inicial. O Paulinho era molequinho nessa época, devia ter 6 ou 7 anos. Eu tinha 16 anos quando o meu livro começa. O livro do Paulo começa bem depois. E ele conta a história entrevistando as pessoas. O meu é um romance, eu falo na primeira pessoa e você, leitor, em alguns momentos vai ficar em dúvida se alguns fatos aconteceram ou não. E eu também não sei se aconteceram do jeito que eu estou contando.
Dinho - Eu acho que ele tem menos excessos. E isso é uma coisa que é um problema para a banda. Você vai acumulando maneirismos ao longo dos anos. Acho que graças à separação, nós conseguimos nos livrar um pouco disso. Eu ouço os primeiros discos e acho tudo muito excessivo. Produção demais, teclados demais, vocal demais. Eu acho que a gente aprendeu a controlar isso tudo.
Estamos melhor. Principalmente este disco que a gente lançou antes do acústico, o "Atrás dos Olhos". Eu acho esse disco o nosso melhor trabalho. A gente só tinha conseguido atingir essa simplicidade, ir direto ao assunto, somente no primeiro disco. O resto ficou meio barroco, com excesso de tudo
Vocês não percebiam esses excessos na época?
A gente cometeu um grande erro nos anos 80, não quero culpar ninguém, mas a entrada do Bozo descaracterizou muito a banda. A gente levo muito tempo tentando equacionar a entrada dele e acho que até hoje não conseguimos resolver isso direito. Eu acho que a volta do Capital é a volta como quarteto. Aliás, os nossos melhores discos foram gravados como quarteto.
Mas foram vocês que o convidaram para a banda.
Sim. Foi. Por isso a culpa foi toda nossa. Ele não tem culpa de nada, ele aceitou e tudo bem. A culpa foi inteira nossa. Ele era um músico letrado, que tinha se formado na ECA, tinha tocado com Arrigo Barnabé, ele era semi-erudito. E a gente era uma banda punk, que aprendeu tocando dois acordes. Não poderia dar certo. E não deu.
Por que você saiu da banda em 1994? Qual foi o motivo do racha entre vocês?
Já rolava uma estafa entre a gente. Já estávamos juntos desde os 19 anos, passamos por tudo, altos e baixos. Eu também queria tocar com outras pessoas, fazer outras coisas da vida. Acho que todos nós tínhamos uma certa dúvida existencial quanto ao Capital, não sabíamos direito para onde ir. E eu acho que quando a gente não sabe o que dizer, é melhor não dizer nada. Não que isso fosse deliberado, mas olhando para trás, acho que a gente fez a coisa certa em parar. Foi a melhor coisa que a gente fez. E parte do que está acontecendo agora é fruto desses cinco anos de silêncio. Tanto quanto a relação entre nós como a nossa relação com o público. Deu para pensar na vida, pensar na nossa música. Amadurecemos, tanto eu quanto a banda passamos por muitas dificuldades. Eu fiquei solo. Eu fiquei solo e independente nesses cinco anos e tudo foi muito difícil. Tudo. Gravar, fazer vídeo, todo o trabalho era mais difícil. Quando você passa por isso, ganha uma nova consciência, aprende a se virar sozinho. Me ensinou muito, passei a moderar as expectativas.
A relação entre os membros da banda voltou fortalecida?
Cara, a nossa amizade foi salva. Foi recuperada. A gente teve que cavar e varrer muita coisa para debaixo do tapete. Percebemos que maior do que qualquer um é a banda. Não ficamos mais embriagados com o sucesso e outras coisas que vem com ele. Sabemos que tudo é efêmero. A conseqüência é que nos damos muito melhor agora do que antes. Existe um respeito muito maior entre a gente.
O projeto do disco acústico já estava nos planos da banda desde a volta?
Sim e não. Existia a idéia de fazer um disco ao vivo. A gente nunca tinha feito um juntos e, fatalmente, um dia isso ia acontecer. A gente não sabia bem o formato, tínhamos duas alternativas: lançar um disco de rock mais pesado ou encarar o desafio de um acústico. Nós achamos que o acústico era melhor por inúmeras razões, entre elas, a própria visibilidade do projeto. Sabíamos que era um formato altamente vendável e vencedor. Mas quando eu digo isso, nem eu, nem gravadora, nem a MTV e muito menos a banda, esperava por essa repercussão. Todo mundo foi surpreendido pelo que aconteceu. E eu acho que isso acabou sendo uma vantagem. Entramos em campo sem nenhuma expectativa.
Mas vocês também pretendiam resgatar alguns velhos hits para o público novo que vocês acabaram conquistando com a volta?
Cara, a nossa maior preocupação, o nosso maior medo quando essa história começou, pelo menos o meu maior medo era que isso fosse visto com uma onda nostálgica. Que fosse uma coisa tipo "vamos lembrar como eram legais os anos 80" ou "jovem também tem saudade". O meu maior medo é que o disco tivesse essa característica. Por isso a gente botou várias músicas novas, como "Natasha", "Tudo Que Vai"... E conseguíamos o que queríamos, que era falar para a moçada e não para gente da minha idade. É o que vem acontecendo. A média de idade do público que vai aos nossos shows é de 16, 17 anos. Eu considero isso uma vitória.
Só que um lançamento desse não consegue esconder o clima de oportunismo.
E eu acho que em alguns casos, são oportunistas. Mas eu costumo dizer para as pessoas que sugerem que nós fomos oportunistas, que a gente voltou com um disco novo, antes, cheio de inéditas. Queremos virar a página do acústico o quanto antes. Devemos estar entrando em estúdio no começo do próximo semestre. Ou seja, não temos nada a ver com essa onda de nostalgia. As músicas que mais tocaram no rádio, que foram extraídas do acústico, eram músicas novas. E se uma banda não consegue mais compor ou apresentar novas idéias, não merece muita consideração, o que não é o nosso caso.
foto de Priscila Prade
Você não acha que banda de rock tem que durar pouco para não cair no ridículo?
Eu discordo. Tem várias bandas boas que estão há anos fazendo bons trabalhos. E, principalmente, eu acho que não existem regras no rock. Tem exemplos nos dois sentidos. Tem bandas-relâmpago maravilhosas, como o Sex Pistols e o Nirvana e tem bandas mais longas, como o Rolling Stones e o Aerosmith, que são ótimos. O segredo é você conseguir compor e apresentar novas idéias. Se você pegar o "Tatto You", que eu acho um dos melhores discos dos Stones, eles já tinham 20 anos de carreira. Nem tudo que é novo é bom e nem tudo que é velho é ruim.
É que algumas bandas envelhecem melhor ou pior do que outras. E tem aquelas bandas que vivem só do passado, como, por exemplo, o Deep Purple. Você vai ao show dos caras só para ouvir o "Machine Head", que é um disco de mais de 20 anos.
E você também pode envelhecer com dignidade. É só não ficar embarcando no último modismo. Você tem que abraçar o que sempre fez. Um exemplo é a volta do Echo & The Bunnymen, que é do caralho. Os discos recentes deles são sensacionais. Eu acho um erro o Clash não voltar. Todos estão inteiros, relativamente moços, não sei porque não voltam a tocar, são uma puta banda.
Por que o rock nacional perdeu espaço nos anos 90? As bandas estabelecidas perderam o gás? Ou não houve uma segunda geração?
Um pouco de tudo. Mas eu acho que houve uma segunda geração que nos sucedeu, como Raimundos, Planet Hemp, o Rappa, acho que é um pessoal bem anos 90.
Acredito que existia uma crise de identidade entre a nossa geração. Tudo isso coincidiu com a ascensão do grunge e no Brasil de bandas como Raimundos e o Rappa. Acho que de um certo modo, teve uma crise de consciência em quase todo mundo da minha geração. Várias bandas perderam. Foi o fundo do poço para todos, até os grandões como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Titãs, passaram por essa crise.
Todo mundo ficou com a auto-estima bem abalada no começo dos anos 90. Foi como se cada um de nós achasse que tinha se corrompido. Ou virado o inimigo. As coisas que a gente apontava como defeito aos outros, no começo da nossa carreira, foi o que acabamos virando. Com o passar dos anos, essa avaliação severa que nós fazíamos de nós mesmos, mudou. Falando por mim, a avaliação super séria que eu tinha do Capital, do que a banda tinha virado, eu já não acho mais hoje. Eu sou menos maniqueísta. Acho bacana muita coisa que a gente fez. Não é tudo lixo, que tem que jogar fora, como eu pensava nos anos 90.
Esta crise de identidade explica o fato de vocês terem mudado bastante de perfil, passando por eletrônicos, depois grunge, depois metal, aí acabaram...
Sim. Estas mudanças foram causas da entrada do Bozo, também. O Capital em determinados momentos passou por uma crise existencial muito forte, seguida de uma crise de identidade que já existia há anos. E também existia a eterna comparação com a Legião. Essa comparação fez com que a gente entregasse os pontos. Chegou um momento em que todo mundo falou "foda-se". Aí resolvemos virar ídolos a qualquer preço.
Assim que você saiu do Capital, você disse que não conseguia enxergar uma personalidade na banda, que vocês viviam atrás da Legião. E agora? Você enxerga uma personalidade no Capital?
Sim. A gente se desenvolveu ao longo dos anos. Agora, eu vejo um estilo, uma personalidade bem resolvida. Mas a gente levou 10 anos para alcançar isso. A ligação com o Renato e a Legião era intestinal, visceral. O Fê e o Flávio aprenderam a tocar no Aborto Elétrico. Eu aprendi vendo eles tocarem. O Dado é meu irmão e o Bonfá meu melhor amigo, nós crescemos juntos. Foi difícil romper esse cordão umbilical e caminhar com as próprias pernas.
Por que a sua carreira solo não decolou?
Eu estava numa gravadora independente, que é o selo do Dado (Villa Lobos, ex-Legião, e o selo é o Rock It!). Ambos não tinham dinheiro. Acho que as pessoas ouviam o meu disco e falavam, "isso é Capital!". Viviam dizendo, "é igualzinho, por que você saiu então?". Não viam nenhum propósito e eu acho que essas pessoas tinham razâo. Mas eu gosto do meu disco solo, acho que é um dos meus melhores trabalhos. Tive a oportunidade de trabalhar com o Suba, que foi um grande produtor. Mas aquilo poderia ter sido feito com o Capital, não precisava ter saído.
Qual foi a importância da cena de Brasília para o rock nacional?
Eu acho que é a mais importante cena roqueira do país. A única cidade que pode se rivalizar com Brasília é Porto Alegre. Em São Paulo tinha várias cenas isoladas, o Ira! era mod, o Inocentes era punk, os Titãs eram pop, o Ratos do Porão era hardcore, cada banda era uma coisa diferente, cada banda era uma ilha. Em Brasília, como em Porto Alegre, existia uma unidade. Unidade de referências, de origens, nos discursos...
Não sei se atribuiria o sucesso do rock brasileiro à cena de Brasília, mas é uma cena crucial na história do rock nacional. Em todo o momento, dos anos 80 para cá, sempre existiu uma banda de Brasília entre as maiores do país.
Por que a crítica especializada gosta de massacrar o rock nacional, principalmente as bandas dos anos 80?
Se você perceber um padrão nessas críticas, vai ver uma coisa engraçada. Eles sempre estão falando muito bem de alguém e, aproveitam, para alfinetar o rock brasileiro. Dizem coisas como "dentro desse roquinho nacional, essa é uma coisa que se destaca". Para falar bem de alguém tem que falar mal do rock brasileiro.
Mas a crítica restringe-se apenas ao rock nacional e a MPB. Eles não se dignam a analisar os gêneros mais populares – como a música sertaneja, o axé e o pagode – esses são completamente ignorados. Se eles se preocupam com a gente, ok, significa que nós temos importância.
Por que a volta de bandas veteranas como vocês e o Ira!? Não há nada novo que preste?
Não, existem bandas novas muito boas. E o bacana é que a gente está co-existindo com essas bandas novas. Rappa, Planet Hemp, Raimundos, Jota Quest, Rumbora, Pato Fu, Skank, são bandas legais pra caralho que estão indo super bem. E nós estamos co-existindo com eles. No Brasil isso é um a coisa nova, mas lá fora isso é bem normal. Um garoto vai ao show do Offspring e do Aerosmith com o mesmo prazer. Não existe isso de uma geração ou outra
Existem diferenças entre ser um artista popular e fazer música pop?
Sim. A gente não tem acesso aos veículos populares. Não entramos nas grandes rádios, temos dificuldades de entrar na Globo. Nós fazemos música pop mas não somos populares.
E nós não temos pudores. Eu faço o que for preciso pelo rock nacional e pela minha música. A gente faz música para os nossos veículos. Mas, se uma rádio popular me convidar, ou algum programa de TV, eu vou. Mas vou nos meus termos. Eu vou para tocar a minha música. O Brasil tem uma mania muito anti-social. Não adianta fingir que estamos no Primeiro Mundo. Se a gente ficar restrito a 89FM e a MTV, a nossa música só será ouvida pela classe média branca. É legal sair desse castelo de mármore. E se você quer mostrar o rock brasileiro para o povo, tem que abraças todas as oportunidades que lhe são oferecidas.
Mas ainda existem pessoas pré-dispostas, no grande público consumidor, a conhecer o rock nacional?
O perfil dessas pessoas mudou dos anos 80 para cá. A molecada de hoje é menos intransigente do que a gente era. Com a gente não tinha muita conversa. Hoje, o mesmo cara que gosta de forró, gosta de Capital. O cara gosta de Raimundos,Capital, Falamansa... É um cara muito mais tolerante do que a gente nos anos 80.
E você acha isso legal?
Não muito (cai na gargalhada) ... Confesso que sou intolerante. É uma das minhas manias. Em relação a tudo na vida, menos música, eu sou tolerante. Ainda acho que a segmentação é uma coisa positiva. Acredito que a segmentação é o melhor caminho para todos os gêneros musicais no Brasil.
E o novo disco do Capital?
Estou começando a compor. Já existem umas cinco bases prontas. Em janeiro eu vou entrar em estúdio. Eu queria chegar em março com as bases todas prontas para já começar a pré-produção. Se tudo der certo assim, sai em junho. Mas já antecipo que vai ser bem cru, pesado, uma banda de rock básico.
Dinho no Rock In Rio 3 - Foto de Marcelo Rossi
E o seu livro sobre a cena de Brasília? Em que pé que está?
O livro está em um disquete. Assim que assentar um pouco a poeira do acústico, acho que no final do ano, eu vou retomá-lo. Não dá tempo de escrever. Só este ano a gente fez 120 shows e eu ainda tenho duas crianças pequenas em casa. Fica impraticável. Mas se tudo der certo também eu o lanço em junho, junto com o novo disco do Capital. O problema é que escrever o livro está se mostrando muito mais difícil do que eu pensava. E eu estou escrevendo de um modo totalmente caótico, eu conto as histórias da maneira que eu vou lembrando.
Você leu o "Diário da Turma", do Paulo Marchetti?
Sim, inclusive está bem aqui na minha mesa. Eu achei legal, mas o meu não é bem isso. A minha história se passa antes, o livro acaba quando as bandas começam. As bandas, eu falo, quero dizer a Legião Urbana e o Capital Inicial. O Paulinho era molequinho nessa época, devia ter 6 ou 7 anos. Eu tinha 16 anos quando o meu livro começa. O livro do Paulo começa bem depois. E ele conta a história entrevistando as pessoas. O meu é um romance, eu falo na primeira pessoa e você, leitor, em alguns momentos vai ficar em dúvida se alguns fatos aconteceram ou não. E eu também não sei se aconteceram do jeito que eu estou contando.
Entrevista com John Deacon.
Clássica com a revista Bizz em 1986.
Bizz: O único trabalho que vocês lançaram em 85 foi o single "One Vision". Por que isso?
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Deacon: Estivemos afastados do estúdio desde o último LP, Works. Geralmente, quando acabamos um disco, estamos com o saco tão cheio das gravações e do trabalho conjunto que sempre tiramos umas férias.
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Bizz: Então, 85 foi uma éspécie de período de férias coletivas?
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Deacon: Não realmente. Fizemos poucos shows, mas eles foram bem importantes. Fizemos duas apresentações no Rock in Rio, depois tocamos na Nova Zelândia, na Austrália, Japão, e voltamos à Inglaterra para tocar no Live Aid. Não foi um ano tão tranquilo assim.
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Bizz: Vocês têm se envolvido em projetos de discos solo e turnês sucessivas. Não fica difícil acomodar o trabalho do Queen no meio dessa situação?
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Deacon: Fica. Mas o que aconteceu de fato é que ao longo dos últimos anos começamos a ter sérias divergências internas. Os interesses do grupo têm ficado bem distanciados dos interesses individuais. Enquanto a banda segue sem prejudicar a saúde de seus integrantes não há necessidade de separação. Mas a situação está difícil, e é necessário que cada um saiba organizar bem seu tempo. Quando Freddie iniciou seu projeto solo, eu marquei bobeira e fiquei um tempão sem fazer nada. Nós ficamos a ver navios, o que foi muito chato…
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Bizz: Voltando ao single, ele parece ter sido um resultado imediato da apresentação do Live Aid.
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Deacon: Bem, talvez no contexto da letra, não sei… Não estive muito envolvido com a composição. Apesar da autoria ter sido creditada ao grupo todo, ela na verdade é dos outros três.
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Bizz: Isso não é muito usual, não? Você sempre teve grande responsabilidade no trabalho do Queen.
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Deacon: É, no passado era assim, quando as composições eram feitas individualmente.
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Bizz: E como estão os planos para o futuro?
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Deacon: Planos para o futuro? Bem, hoje já não somos tão organizados como há alguns anos, quando sabíamos o que iríamos fazer meses depois. Estamos fazendo a trilha sonora de Highlander, o segundo filme do diretor de vídeos Russell Mulcahy (autor de vários clips do Duran Duran). É uma fita muito interessante, com um visual soberbo, um bom roteiro e grandes atores – ela é estrelada por Sean Connery e Christophe Lambert.
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Bizz: E a próxima turnê?
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Deacon: Quando terminar o trabalho com o filme discutiremos o que fazer. Esse é o problema de um grupo quando ele faz muito sucesso. Todos têm planos individuais, e quando se vai decidir os rumos do grupo cada um tenta puxar a brasa para a sua sardinha. Eu particularmente acho que, depois da resposta do público no Live Aid, nós deveríamos partir para uma turnê ao invés de ficar mofando num estúdio. Tem gente na banda que acha melhor gravar outro disco e excursionar depois.
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Bizz: O que você acha dessa onda de shows beneficentes? As pessoas devem usar a música para causas políticas?
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Deacon: Acho que sim. Bob Geldof fez isso com o disco Do They Know It’s Christmas e depois com o Live Aid, e conseguiu chamar a atenção dos políticos para esses problemas. Achei ótimo o Live Aid causar uma reação generalizada em várias partes do mundo, um fenômeno sem precedentes e que levantou muita grana. É um jeito de fazer com que os músicos sejam ouvidos for a do âmbito musical.
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Bizz: O Queen participou de vários shows beneficentes, não foi?
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Deacon: Vários, mas nunca fizemos muita publicidade em cima. No último LP abrimos mão de alguns direitos autorais, mas nunca quisemos divulgar isso. Podemos nos dar ao luxo de doar alguns direitos para causas beneficentes. É algo que todos os membros do grupo acatam, apesar das divergências.
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Bizz: Quais causas você apoia?
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Deacon: Dou preferência a causas humanas, bem mais do que à defesa de animais e esse tipo de coisas. Eu também apoiaria causas em benefício da saúde mental.
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Bizz: O disco Works tem uma ligação com os anos 60, com os Beatles e com o início de carreira do próprio Queen. Como você enxerga esse trabalho em meio a todo esse revival, esse modismo de volta ao passado e ao rock antigo?
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Deacon: O jeito de se fazer música mudou muito nos últimos anos, principalmente por causa do avanço tecnológico. Eu gosto da atitude de pessoas que formam grupos, com quatro, cinco ou três membros, não importa, mas com um caráter de grupo, que grava e toca ao vivo com a mesma formação. Por isso gosto dessa volta aos velhos valores, de se privilegiar o grupo ao invés do aparato.
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Bizz: Mas os integrantes do Queen andaram seguindo direções diferentes, e havia rumores de que a banda iria acabar, principalmente na época do projeto solo de Freddie Mercury. Como está a situação?
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Deacon: Eu tenho uma visão simplista disso. Acho que um grupo deve fazer duas coisas: gravar e tocar ao vivo. Nós lançamos o single, e estamos fazendo música para um filme; estamos trabalhando juntos, portanto ainda somos um grupo. Não é como o Police, por exemplo. Eles continuam dizendo que estão unidos, mas não estão gravando ou tocando juntos.
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Bizz: Parece que o Queen não será convidado para o segundo Rock in Rio. O que você acha disso?
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Deacon: (surpreso) Eu não sabia. Só tinha lido nos jornais sobre as tentativas de se mudar o evento para São Paulo… Não sei, acho difícil promover um evento desses a cada dois anos. Mas se houver um esse ano gostaria muito de tocar lá de novo. Na primeira vez as condições são sempre especiais – todo mundo estava nervoso e apreensivo com a organização da coisa toda. Mas tudo correu muito bem.
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Bizz: A imprensa brasileira divulgou o evento como sendo um fato histórico. Você concorda com essa classificação?
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Deacon: Em termos de América do Sul eu acho que sim. E principalmente para o Brasil, porque foi uma coisa feita por brasileiros. Muitos viajaram de longe para ver o evento, o que demonstra que ele teve mesmo uma grande repercussão internacional.
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Bizz: Eu estava me perguntando por que mandaram você quando pedi para entrevistar o Queen…
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Deacon: É porque eu sou voluntário… (risos) Só por isso.
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Bizz: Os outros não dão entrevistas?
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Deacon: Já demos tantas que eu nem sei mais ao certo se os outros ainda gostam disso. O Roger é bom nisso, ele é bem tranquilo para entrevistas.
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Bizz: Acabamos de assistir ao clip de "One Vision". Ele é bem diferente dos anteriores, mais simples, direto, com vocês tocando no estúdio…
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Deacon: É, eu gosto desse clip. É uma mudança bem refrescante… Tínhamos feito alguns clips que não foram bem recebidos, e decidimos trocar de diretor e de conceito. Em vez de passarmos a impressão de estar tocando ao vivo, resolvemos tocar de verdade e aparecer assim no vídeo. Pusemos câmeras no estúdio em Munique enquanto estávamos gravando o single. Foi uma experiência estranha. Eu ficava meio nervoso sendo filmado enquanto tocava de verdade – foi mais ou menos como o lance dos Beatles no filme Let it Be. Mas correu tudo bem, e deu para gravar do jeito que imaginávamos. Além dessas imagens, o clip inclui cenas gravadas há algumas semanas em Londres. São cenas nas quais nos referimos a algumas imagens do vídeo de "Bohemian Rhapsody", feito dez anos atrás. Naquele tempo nossa aparência era completamente diferente – a idéia era recriar as poses e juntar as duas imagens, para mostrar como nós mudamos nesses dez anos.
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Bizz: Deve ser difícil para vocês, que já fizeram tantos vídeos, alguns tão bons…
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Deacon: (interrompendo) … e outros tão ruins… (risos)
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Bizz: …conseguir escapar do padrão, quando se tem que fazer algo novo, não é?
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Deacon: É duro, realmente, quando se é uma grande banda e precisa apresentar algo diferente. E com a música é ainda mais difícil…
Bizz: O único trabalho que vocês lançaram em 85 foi o single "One Vision". Por que isso?
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Deacon: Estivemos afastados do estúdio desde o último LP, Works. Geralmente, quando acabamos um disco, estamos com o saco tão cheio das gravações e do trabalho conjunto que sempre tiramos umas férias.
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Bizz: Então, 85 foi uma éspécie de período de férias coletivas?
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Deacon: Não realmente. Fizemos poucos shows, mas eles foram bem importantes. Fizemos duas apresentações no Rock in Rio, depois tocamos na Nova Zelândia, na Austrália, Japão, e voltamos à Inglaterra para tocar no Live Aid. Não foi um ano tão tranquilo assim.
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Bizz: Vocês têm se envolvido em projetos de discos solo e turnês sucessivas. Não fica difícil acomodar o trabalho do Queen no meio dessa situação?
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Deacon: Fica. Mas o que aconteceu de fato é que ao longo dos últimos anos começamos a ter sérias divergências internas. Os interesses do grupo têm ficado bem distanciados dos interesses individuais. Enquanto a banda segue sem prejudicar a saúde de seus integrantes não há necessidade de separação. Mas a situação está difícil, e é necessário que cada um saiba organizar bem seu tempo. Quando Freddie iniciou seu projeto solo, eu marquei bobeira e fiquei um tempão sem fazer nada. Nós ficamos a ver navios, o que foi muito chato…
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Bizz: Voltando ao single, ele parece ter sido um resultado imediato da apresentação do Live Aid.
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Deacon: Bem, talvez no contexto da letra, não sei… Não estive muito envolvido com a composição. Apesar da autoria ter sido creditada ao grupo todo, ela na verdade é dos outros três.
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Bizz: Isso não é muito usual, não? Você sempre teve grande responsabilidade no trabalho do Queen.
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Deacon: É, no passado era assim, quando as composições eram feitas individualmente.
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Bizz: E como estão os planos para o futuro?
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Deacon: Planos para o futuro? Bem, hoje já não somos tão organizados como há alguns anos, quando sabíamos o que iríamos fazer meses depois. Estamos fazendo a trilha sonora de Highlander, o segundo filme do diretor de vídeos Russell Mulcahy (autor de vários clips do Duran Duran). É uma fita muito interessante, com um visual soberbo, um bom roteiro e grandes atores – ela é estrelada por Sean Connery e Christophe Lambert.
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Bizz: E a próxima turnê?
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Deacon: Quando terminar o trabalho com o filme discutiremos o que fazer. Esse é o problema de um grupo quando ele faz muito sucesso. Todos têm planos individuais, e quando se vai decidir os rumos do grupo cada um tenta puxar a brasa para a sua sardinha. Eu particularmente acho que, depois da resposta do público no Live Aid, nós deveríamos partir para uma turnê ao invés de ficar mofando num estúdio. Tem gente na banda que acha melhor gravar outro disco e excursionar depois.
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Bizz: O que você acha dessa onda de shows beneficentes? As pessoas devem usar a música para causas políticas?
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Deacon: Acho que sim. Bob Geldof fez isso com o disco Do They Know It’s Christmas e depois com o Live Aid, e conseguiu chamar a atenção dos políticos para esses problemas. Achei ótimo o Live Aid causar uma reação generalizada em várias partes do mundo, um fenômeno sem precedentes e que levantou muita grana. É um jeito de fazer com que os músicos sejam ouvidos for a do âmbito musical.
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Bizz: O Queen participou de vários shows beneficentes, não foi?
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Deacon: Vários, mas nunca fizemos muita publicidade em cima. No último LP abrimos mão de alguns direitos autorais, mas nunca quisemos divulgar isso. Podemos nos dar ao luxo de doar alguns direitos para causas beneficentes. É algo que todos os membros do grupo acatam, apesar das divergências.
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Bizz: Quais causas você apoia?
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Deacon: Dou preferência a causas humanas, bem mais do que à defesa de animais e esse tipo de coisas. Eu também apoiaria causas em benefício da saúde mental.
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Bizz: O disco Works tem uma ligação com os anos 60, com os Beatles e com o início de carreira do próprio Queen. Como você enxerga esse trabalho em meio a todo esse revival, esse modismo de volta ao passado e ao rock antigo?
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Deacon: O jeito de se fazer música mudou muito nos últimos anos, principalmente por causa do avanço tecnológico. Eu gosto da atitude de pessoas que formam grupos, com quatro, cinco ou três membros, não importa, mas com um caráter de grupo, que grava e toca ao vivo com a mesma formação. Por isso gosto dessa volta aos velhos valores, de se privilegiar o grupo ao invés do aparato.
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Bizz: Mas os integrantes do Queen andaram seguindo direções diferentes, e havia rumores de que a banda iria acabar, principalmente na época do projeto solo de Freddie Mercury. Como está a situação?
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Deacon: Eu tenho uma visão simplista disso. Acho que um grupo deve fazer duas coisas: gravar e tocar ao vivo. Nós lançamos o single, e estamos fazendo música para um filme; estamos trabalhando juntos, portanto ainda somos um grupo. Não é como o Police, por exemplo. Eles continuam dizendo que estão unidos, mas não estão gravando ou tocando juntos.
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Bizz: Parece que o Queen não será convidado para o segundo Rock in Rio. O que você acha disso?
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Deacon: (surpreso) Eu não sabia. Só tinha lido nos jornais sobre as tentativas de se mudar o evento para São Paulo… Não sei, acho difícil promover um evento desses a cada dois anos. Mas se houver um esse ano gostaria muito de tocar lá de novo. Na primeira vez as condições são sempre especiais – todo mundo estava nervoso e apreensivo com a organização da coisa toda. Mas tudo correu muito bem.
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Bizz: A imprensa brasileira divulgou o evento como sendo um fato histórico. Você concorda com essa classificação?
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Deacon: Em termos de América do Sul eu acho que sim. E principalmente para o Brasil, porque foi uma coisa feita por brasileiros. Muitos viajaram de longe para ver o evento, o que demonstra que ele teve mesmo uma grande repercussão internacional.
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Bizz: Eu estava me perguntando por que mandaram você quando pedi para entrevistar o Queen…
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Deacon: É porque eu sou voluntário… (risos) Só por isso.
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Bizz: Os outros não dão entrevistas?
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Deacon: Já demos tantas que eu nem sei mais ao certo se os outros ainda gostam disso. O Roger é bom nisso, ele é bem tranquilo para entrevistas.
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Bizz: Acabamos de assistir ao clip de "One Vision". Ele é bem diferente dos anteriores, mais simples, direto, com vocês tocando no estúdio…
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Deacon: É, eu gosto desse clip. É uma mudança bem refrescante… Tínhamos feito alguns clips que não foram bem recebidos, e decidimos trocar de diretor e de conceito. Em vez de passarmos a impressão de estar tocando ao vivo, resolvemos tocar de verdade e aparecer assim no vídeo. Pusemos câmeras no estúdio em Munique enquanto estávamos gravando o single. Foi uma experiência estranha. Eu ficava meio nervoso sendo filmado enquanto tocava de verdade – foi mais ou menos como o lance dos Beatles no filme Let it Be. Mas correu tudo bem, e deu para gravar do jeito que imaginávamos. Além dessas imagens, o clip inclui cenas gravadas há algumas semanas em Londres. São cenas nas quais nos referimos a algumas imagens do vídeo de "Bohemian Rhapsody", feito dez anos atrás. Naquele tempo nossa aparência era completamente diferente – a idéia era recriar as poses e juntar as duas imagens, para mostrar como nós mudamos nesses dez anos.
www.tudoqueen.cjb.net
Bizz: Deve ser difícil para vocês, que já fizeram tantos vídeos, alguns tão bons…
www.tudoqueen.cjb.net
Deacon: (interrompendo) … e outros tão ruins… (risos)
www.tudoqueen.cjb.net
Bizz: …conseguir escapar do padrão, quando se tem que fazer algo novo, não é?
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Deacon: É duro, realmente, quando se é uma grande banda e precisa apresentar algo diferente. E com a música é ainda mais difícil…
terça-feira, 28 de junho de 2011
Entrevista com Peter Criss.
HeraldTribune.com — Sua última experiência com gravações foi em “Psycho Circus”, em 1998, ainda com o KISS, repleta de confrontos, em que você e Ace [Frehley, guitarrista] tiveram uma participação ínfima. Acredito que desta vez tenha sido algo mais refrescante para você.
Peter Criss — "Muito. O ‘Psycho Circus’ foi um outro exemplo da história se repetindo novamente. Poder e dinheiro são duas coisas assustadoras. Quando você entra nelas — e eu entrei, abusei, usei como todos nós fazemos — isso tudo aconteceu. O produtor Bruce Fairbairn morreu, Deus abençoe sua alma, depois daquele álbum. Mas o que mais me incomodou, e tenho certeza que incomodou os fãs também, é que tratava-se de um momento mágico para a banda, estar nela novamente, fazer um álbum... há canções neste álbum [N. do T.: refere-se ao seu novo trabalho] que foram escritas para aquele disco. Escrevi ‘Hope’ e ‘Justice For All’ para aquele trabalho".
HeraldTribune.com — Nos velhos tempos, eles escolheriam pelo menos uma música sua para cada um dos trabalhos do Kiss. Por que isso não aconteceu com “Psycho Circus”?
Criss — "Isso machucou pra valer, cara. Muitas mudanças aconteceram. Sim, você está certo, se fosse tudo seria bem legal. Mas não rolou isso desta vez, percebi tudo e disse: ‘Ok, bem, apenas rezo para Deus um dia poder gravá-las’".
HeraldTribune.com — Já que estamos falando do Kiss e todos os turbilhões de eventos que resultaram nas separações, o que de fato aconteceu? Você os deixou durante a “Farewell Tour”, voltou para o projeto da Sinfonia de Melbourne (que acabou resultando no álbum “Symphony: Alive IV”, de 2003), foi para a turnê com o AEROSMITH, em 2004 e, então, saiu novamente.
Criss — "Vamos colocar as coisas desse jeito: pensei que o Ace estaria na turnê com o AEROSMITH, mas ele não estava. Então, disse para minha mulher e meus amigos que sem o Ace essa não era a banda original e desse jeito eu não farei as coisas".
HeraldTribune.com — Como é olhar para alguém que se veste como o Ace, usa a maquiagem que era do Ace, toca as notas de Ace, mas não é ele?
Criss — "Absolutamente assustador. Algumas noites eu me perdia tanto no excitamento das pessoas e na música que quase chegava a pensar que era o Ace. Você olha lá por um milésimo de segundo e lá está ele. O cara o copia em tudo e muito bem, nota por nota, era quase como o Ace. E então isso começou a me atingir e você fica como: ‘Nossa, isso é bem assustador’. Mas era nos camarins que você realmente sentia a diferença. E era uma merda, uma merda mesmo".
HeraldTribune.com — E o que você acha do atual baterista do KISS, Eric Singer, vestir a sua máscara?
Criss — "Não dou a mínima. Eu até me importei por um tempo, então pensei que você pode colocar um milhão de pessoas naquela máscara, mas não serei eu. Não será minha alma. E não será minha voz e meu coração e qualquer coisa que venha do meu coração passará pelas minhas mãos. Vem da minha música".
HeraldTribune.com — Falando sobre seu novo álbum, por que você decidiu concentrar-se mais nas baladas?
Criss — "Porque não queria ficar berrando pra vocês. Acho que meu grande objetivo eram as baladas, então me concentrei nessa teoria. Acho que as pessoas adoram o jeito que canto músicas lentas. Posso estar errado. E, além do mais, como é um trabalho autobiográfico, achei que deveria ser cantado deste jeito".
HeraldTribune.com — Voltando ao novo álbum, há uma faixa chamada “Space Ace” que vocês compôs para Ace Frehley. Vocês ainda são amigos?
Criss — "Sim, e sempre seremos. Somos inseparáveis não importa o que aconteça, somos almas gêmeas. E espero que ele goste dessa música. Ele achou legal quando eu a fiz. Ela fecha o álbum, caminha para uma jam latina selvagem. Como isso aconteceu nunca saberei, mas com o Ace isso tudo é possível. Você pode fazer o que quiser com o Ace, ele é uma espécie de alienígena. A faixa-título, ‘One for All’, fala sobre os atentados de 11 de setembro. Eu tinha ido à igreja e quando cheguei em casa, minha esposa disse que um avião havia batido nas torres. Eu pensei: ‘Bem, provavelmente foi um daqueles pequenos aviões’. E quando vi aqueles dois aviões enormes, foi muito surreal, parecia que eu estava assistindo a um filme de terror. Essa é uma música que fala sobre o quão ruim é a guerra, e ela deve parar. A música é como se fosse um cara abrindo a boca sobre o sistema".
Peter Criss — "Muito. O ‘Psycho Circus’ foi um outro exemplo da história se repetindo novamente. Poder e dinheiro são duas coisas assustadoras. Quando você entra nelas — e eu entrei, abusei, usei como todos nós fazemos — isso tudo aconteceu. O produtor Bruce Fairbairn morreu, Deus abençoe sua alma, depois daquele álbum. Mas o que mais me incomodou, e tenho certeza que incomodou os fãs também, é que tratava-se de um momento mágico para a banda, estar nela novamente, fazer um álbum... há canções neste álbum [N. do T.: refere-se ao seu novo trabalho] que foram escritas para aquele disco. Escrevi ‘Hope’ e ‘Justice For All’ para aquele trabalho".
HeraldTribune.com — Nos velhos tempos, eles escolheriam pelo menos uma música sua para cada um dos trabalhos do Kiss. Por que isso não aconteceu com “Psycho Circus”?
Criss — "Isso machucou pra valer, cara. Muitas mudanças aconteceram. Sim, você está certo, se fosse tudo seria bem legal. Mas não rolou isso desta vez, percebi tudo e disse: ‘Ok, bem, apenas rezo para Deus um dia poder gravá-las’".
HeraldTribune.com — Já que estamos falando do Kiss e todos os turbilhões de eventos que resultaram nas separações, o que de fato aconteceu? Você os deixou durante a “Farewell Tour”, voltou para o projeto da Sinfonia de Melbourne (que acabou resultando no álbum “Symphony: Alive IV”, de 2003), foi para a turnê com o AEROSMITH, em 2004 e, então, saiu novamente.
Criss — "Vamos colocar as coisas desse jeito: pensei que o Ace estaria na turnê com o AEROSMITH, mas ele não estava. Então, disse para minha mulher e meus amigos que sem o Ace essa não era a banda original e desse jeito eu não farei as coisas".
HeraldTribune.com — Como é olhar para alguém que se veste como o Ace, usa a maquiagem que era do Ace, toca as notas de Ace, mas não é ele?
Criss — "Absolutamente assustador. Algumas noites eu me perdia tanto no excitamento das pessoas e na música que quase chegava a pensar que era o Ace. Você olha lá por um milésimo de segundo e lá está ele. O cara o copia em tudo e muito bem, nota por nota, era quase como o Ace. E então isso começou a me atingir e você fica como: ‘Nossa, isso é bem assustador’. Mas era nos camarins que você realmente sentia a diferença. E era uma merda, uma merda mesmo".
HeraldTribune.com — E o que você acha do atual baterista do KISS, Eric Singer, vestir a sua máscara?
Criss — "Não dou a mínima. Eu até me importei por um tempo, então pensei que você pode colocar um milhão de pessoas naquela máscara, mas não serei eu. Não será minha alma. E não será minha voz e meu coração e qualquer coisa que venha do meu coração passará pelas minhas mãos. Vem da minha música".
HeraldTribune.com — Falando sobre seu novo álbum, por que você decidiu concentrar-se mais nas baladas?
Criss — "Porque não queria ficar berrando pra vocês. Acho que meu grande objetivo eram as baladas, então me concentrei nessa teoria. Acho que as pessoas adoram o jeito que canto músicas lentas. Posso estar errado. E, além do mais, como é um trabalho autobiográfico, achei que deveria ser cantado deste jeito".
HeraldTribune.com — Voltando ao novo álbum, há uma faixa chamada “Space Ace” que vocês compôs para Ace Frehley. Vocês ainda são amigos?
Criss — "Sim, e sempre seremos. Somos inseparáveis não importa o que aconteça, somos almas gêmeas. E espero que ele goste dessa música. Ele achou legal quando eu a fiz. Ela fecha o álbum, caminha para uma jam latina selvagem. Como isso aconteceu nunca saberei, mas com o Ace isso tudo é possível. Você pode fazer o que quiser com o Ace, ele é uma espécie de alienígena. A faixa-título, ‘One for All’, fala sobre os atentados de 11 de setembro. Eu tinha ido à igreja e quando cheguei em casa, minha esposa disse que um avião havia batido nas torres. Eu pensei: ‘Bem, provavelmente foi um daqueles pequenos aviões’. E quando vi aqueles dois aviões enormes, foi muito surreal, parecia que eu estava assistindo a um filme de terror. Essa é uma música que fala sobre o quão ruim é a guerra, e ela deve parar. A música é como se fosse um cara abrindo a boca sobre o sistema".
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