segunda-feira, 6 de março de 2017

Entrevista com a Banda Circus Brasilis.




Quem atuou como porta-voz e representante da banda nesta entrevista, com a devida permissão dos demais membros, foi Marcelo Cavalcanti, membro-fundador, compositor e letrista do Circus Brasilis.

1. Nos conte um resumo sobre a história da banda, quando surgiu, quais as aspirações e

qual a atual formação?

1. Circus Brasilis surgiu há cerca de 10 anos, na cidade de São Paulo, quando Maurício

ainda me dava aula de violão. Chegou um momento em que, toda vez que ele me

passava um determinado exercício, eu chegava com uma letra, e ele sempre a achava

legal. Daí decidimos juntar minha facilidade para compor com a dele para criar linhas

melódicas, e aqui estamos, senhoras e senhores, Circus Brasilis!

A partir daí, ele começou a correr atrás de amigos músicos para completar a banda, que

já passou por várias formações, pois o pessoal ia desanimando com as dificuldades

geradas pela demora de “alcançar o sucesso”. Passaram pela banda quatro vocalistas,

três baixistas, dois bateristas e dois tecladistas. As frustrações foram tamanhas com todo

esse entra e sai de pessoas, esse para e volta da banda, que estamos pensando em seguir

apenas com três integrantes fixos: Maurício, Alexandre, que está conosco há cerca de

um ano, e eu. Os demais integrantes serão contratados como freelancers, de acordo com

a necessidade para completar a formação, pois a última coisa que precisamos é de gente

que desista no meio do caminho e nos deixe a pé novamente.

Quanto às aspirações, queremos conquistar o Brasil, formar uma legião de fãs circenses

roqueiros que curtam nosso trabalho, tocar de norte a sul, leste a oeste desta maravilhosa

Terra Brasilis e ajudar a recolocar o rock nacional no seu lugar de direito, o de

protagonista, pois essa coisa de espectador jamais combinou com a força do rock! Não

adianta ter um monte de bandas ótimas vivendo no subterrâneo, temos de reconquistar o

céu, a luz, pois gente boa existe aos montes e público ávido também, e o que precisamos é organizar tudo isso, revolucionar a cena musical brasileira.

2. Quais as principais influências da banda?

Nossas influências são várias, pois cada integrante tem gostos e características

individuais. Maurício, por exemplo, domina vários estilos musicais, mas a veia

blueseira pulsa mais forte em sua alma, por isso tem facilidade para criar solos com

muito sentimento.

Alexandre, por ser baixista de formação, embora seja roqueiro, já pende mais para o

jazz e o funk, mas o funk de verdade, e curte muito música folk também.

Já eu sou completamente influenciado pelo rock e folk britânicos da segunda metade

dos anos 1960 e primeira metade dos anos 1970, a era de ouro do rock’n’roll,

principalmente o Led Zeppelin, mas também destaco a força e a combatividade do U2

dos anos 1980 como influência extremamente inspiradora.

Dentro do Brasil, além das bandas de rock dos anos 1970 e 1980, como Secos &

Molhados, admiramos também a música nordestina, com destaque para a pernambucana

e a baiana, a música mineira barroca, com ênfase para o pessoal do Clube da Esquina, o

choro e o samba de raiz, aquele de Cartola, verdadeiras joias de nossa cultura. Mas

nosso cerne, nossa alma, é rock! Por isso o rock é tão interessante e duradouro; ele tem

o poder de aninhar dentro de si vários outros estilos, de vários outros paises, metamorfosear tudo e continuar sendo rock’n’roll!

3. Qual a sua opinião sobre essa podridão cultural que assola o país na música popular

atual?

O cálculo é simples. Tudo passa pela educação. Se você é político, egoísta, corrupto,

sem escrúpulos e tem um país imenso e extremamente rico à sua disposição, o que você

faz? Dá educação de primeira para o povo, fornece todos os nutrientes culturais

fundamentais para que ele possa formar seu amálgama crítico e intelectual, aprenda a

pensar livremente, andar com as próprias pernas e discernir entre o certo e o errado, ou

você tenta limitar, restringir o acesso a tudo isso, para que esse mesmo povo se

transforme em um rebanho dócil, de fácil manejo, que trabalhe a vida inteira para te

sustentar nababescamente sem reclamar, pois é incapaz de tomar as rédeas da própria

vida, já que não sabe o que quer nem aonde ir? Uma pessoa sem essa formação jamais

vai “ter saco” para ouvir todos os Concertos de Brandemburgo, de Bach, ou a 6 a

Sinfonia de Beethoven na íntegra. No máximo, vai gostar de um trecho aqui, outro ali,

jamais da obra inteira.

No rock vale essa mesma analogia para o progressivo, por exemplo, e suas longas

viagens sonoras. É muito mais fácil e exige muito menos do cérebro ouvir música pop

chiclete, que pula logo para o refrão e fica repetindo a mesma frase ad nauseum, do que

tentar imergir na clássica Thick as a Brick, do Jethro Tull, que ocupa sozinha todo o

álbum homônimo. Nessa época, fim nos anos 1960 até meados de 1970, o artista ou a

banda deveria mostrar qual era seu diferencial artístico, sua assinatura musical. Por isso,

brotavam artistas e bandas de extrema qualidade mundo afora – e o Reino Unido era o

berçário natural dos melhores e mais influentes –, com trabalhos absolutamente

fantásticos, extremamente criativos, com os maiores clássicos sendo compostos nessa época. Bandas como Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath e Uriah Heep, mesmo

que se identificassem por fazer rock pesado, soam completamente diferentes

estilisticamente. Já dos anos 1990 para cá, a assinatura deu espaço às fórmulas prontas,

com a imposição de fazer uma música mais parecida com a da banda tal que está em evidência, ou seja, o artista virou imitador, e não criador de uma obra.

Em resumo, quem domina a mídia cultural e musical, não só neste país mas em todo o

planeta, prefere e vai fazer de tudo para que você, como uma criança que aprendeu

recentemente a andar e a se comunicar, aprenda a cantar, tocar e ouvir a vida inteira

apenas músicas “Parabéns pra você”, bata palminha, rebole a bundinha, dê uns pulinhos

e “seja feliz”. Na mentalidade dos dominadores da mídia mundial, a fórmula para

compor um hit é a seguinte: o solo, que é a assinatura anímica da música, toma muito

tempo, ninguém entende o que o cara está fazendo, então corta. Música em tonalidade

menor, mais reflexiva e sentimental, também não, corta. Letras que fazem refletir, papo-

cabeça, também não, pois “não vamos dar pérolas a porcos”. Na cabeça deles, um hit

dever ser assim: ter uma frase de efeito, bem idiota, um refrão chiclete e uma levadinha

“chá com pão” de “no máximo” 3 minutos, e pronto, está composto um sucesso

musical! Ou seja, se seguido tal raciocínio na época, clássicos excepcionais e

fundamentais para o rock, como Stairway To Heaven (8:02) e The Rain Song (7:42), do

Led Zeppelin, e Bohemian Rhapsody (5:57), do Queen, só para citar alguns, não seriam

sequer lançados, porque são longas! E a espetacular, inspiradora e transformadora

beleza de cada uma delas, não importa? Só o tempo de duração?

É ou não é para rir? A filosofia de “quanto mais idiota, melhor” ou “quanto pior,

melhor” nunca esteve tão em voga!

Fato relevante e preocupante nesse processo é que a maioria do público atual

desaprendeu a “ouvir” música, pois foi amestrado a “ver” música! As pessoas estão se

esquecendo de desenvolver e apurar a audição, tudo tem de ser visual. O público não

mais presta atenção na qualidade da composição, e sim na do videoclipe. Essa onda da

celebridade instantânea fez com que vários artistas, para alavancar seu nome e

“bombar” seu trabalho, se sujeitem a qualquer coisa, criem vários factoides para se

manter em destaque nas mídias sociais, pois assim as pessoas vão “assistir” a seus

vídeos. Ou seja, o mais importante, que é a qualidade da música, vai lá pro terceiro ou quarto plano.

O tempo extremamente acelerado dos dias atuais, o excesso de informações que

bombardeiam nossos olhos a cada segundo, nem sempre vindas de fontes categorizadas

ou confiáveis, e o advento da filosofia speedwatching também em nada contribuem para

a qualidade da música, pois o artista precisa de tempo, além de inspiração, para poder

criar. Como o período de 24 horas não dá para nada, o ser humano vai cada vez mais se

afastando do seu eu interior, do seu lado espiritual, do natural, da natureza, do abstrato,

e está se criando uma geração extremamente ansiosa, concreta, estressada por

obrigações e informações, automatizada, semirrobotizada, que consome e descarta tudo

de forma quase instantânea, sem aprofundamento, pois não pode perder muito tempo

com algo, pois amanhã já ficou velho. Assim não há mais a preocupação de construir

uma base sólida, deixá-la maturar, respeitando o tempo certo, depois lapidar e só então

finalizar a obra, pois é preciso vender, vender e vender urgentemente, como se não

houvesse amanhã. Se tal coisa não vendeu hoje, amanhã é descartada, e joga-se outra

“celebridade” aos leões, ou seja, é a filosofia panis et circensis (pão e circo) do século XXI.

4. Você disse que a banda já sofreu punições no Facebook. Comente um pouco sobre

isso.

Não é que a banda “já sofreu” punições do Facebook, ela “continua a sofrer”

punições! Convivemos diariamente com dificuldades para enviar postagens, restrições e

bloqueios. Por exemplo, neste exato momento em que participo desta entrevista, a

banda se encontra há alguns dias impedida de postar nossas músicas e deixar qualquer

comentário em quaisquer dos grupos de rock para os quais a Circus Brasilis foi devidamente convidada, aceita e liberada pelos respectivos administradores, que curtem

nosso trabalho, para interagir com seus membros. Cadê a democracia? Onde está a tal

propalada liberdade?

As redes sociais são o único meio de bandas como a nossa, que trabalha duro em busca

de um lugar ao sol e não tem gente nem mídia influentes por detrás, conseguir mostrar

seu trabalho às pessoas, sem precisar pagar jabá e coisas do tipo. Não é possível que

qualquer pessoa que não goste de qualquer coisa que esteja escrita ou em forma de

imagem tenha o poder de denunciar, bloquear e calar você! Já sofremos dezenas de

punições, o que nos custou mais de dois meses de trabalho de divulgação. Quantas

novas visualizações e curtidas perdemos nesse período? Quantas novas pessoas

deixamos de atingir, o que restringe a nossa base de público? Como mensurar o prejuízo

disso tudo no futuro de uma banda em processo de solidificação de imagem e carreira?

Fora a “Oração dos Excluídos”, todas as demais músicas sofrem perseguições de todo

tipo, inclusive impedimento de publicação por denúncias contra o conteúdo – “O

Xadrez de Brasília”, “No Reino do Colarinho-Branco”, “Circus Brasilis” e “O Lado

Sombrio”, nesta ordem. O engraçado é que músicas inteligentes, com letras que buscam

abrir os olhos das pessoas e retratam fielmente a atual situação sociopolítica do país, são

abusivas e merecem todo tipo de punição e perseguição, sem possibilidade sequer de

defesa, enquanto é permitida a apologia a coisas como sexo explícito, desvalorização da mulher, pedofilia, terrorismo, drogas etc. Alguma coisa está errada nesse processo.

Parem o mundo que eu quero descer!


5. Deixe uma mensagem final para os leitores do blog e aproveite para deixar seus

contatos, redes sociais etc.

O Brasil e o mundo estão passando por um período de extrema mudança de

paradigmas. No caso do nosso país, há um grupo de patriotas jovens e idealistas que

está, a duras penas e sob extrema pressão das sanguessugas que se recusam a largar das

tetas do poder, desenvolvendo um trabalho lindo em defesa de uma nova nação,

tentando combater o grande entrave que impede nosso desenvolvimento: a corrupção.

Eles estão precisando demais do apoio de cada um dos brasileiros que não suportam

mais ser dilapidados e prejudicados por essa corja de criaturas nefastas.

Por isso vamos trabalhar duro e lutar por um país melhor, menos desigual e mais justo.

Vamos dar um xeque-mate em todos os que se fizeram à custa da desgraça do próprio

povo, mas vamos fazer isso de forma inteligente, perspicaz, sem violência, sem destruir

obras nem patrimônios públicos, pois os custos para a reconstrução vão sair de nossos

bolsos.

Em relação à cena musical, conclamo a grande nação roqueira a sair dos guetos, do

subterrâneo, e voltar à luz! É preciso se organizar para voltar a criar uma cena musical

forte que faça com que o rock nacional ocupe novamente lugar de destaque, de

protagonismo, como já ocupou nas décadas de 1970 e 1980. Quanto ao Circus Brasilis,

esperamos ganhar mais espaço e alcançar cada vez mais pessoas para que possamos

mostrar nosso trabalho e, com a ajuda e a bênção de todos os legionários do rock, ter vida longa. Pois o Circus Brasilis está chegando... e pra ficar!

CONTATOS

Facebook: https://www.facebook.com/circusbrasilis/

YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCLtvgZTmlirfUJ3j2xHt1sQ

E-mail: circusbrasilis@gmail.com

Twitter: @Circus_Brasilis

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