Você sempre foi fã de blues?
Sou fã desde criança. A primeira vez que ouvi um disco de blues foi quando li uma matéria dizendo que uma banda que eu adorava era muito influenciada pelo estilo. Eu saí e comprei discos de Muddy Waters and Ma Rainey e Big Mama Thornton e acabei fisgada.
O disco tem alguns convidados fabulosos. Você mesma entrou em contato com eles?
Alguns sim, outros foram a minha empresária Lisa Barbaris que fez o contato, mas antes de tudo precisei escolher quem eu queria no disco. Depois foi só dar os telefonemas.
E como foi dividir o estúdio com monstros como BB King ou a Ann Peebles?
A Ann veio até o estúdio e nós inclusive dividimos o memso microfone. Cantar com ela foi fantástico. Nós tínhamos essa cabine de gravação minúscula onde nos esprememos. Nós ficamos olho a olho e cantamos tudo que podíamos. Ela é uma cantora magnífica e uma pessoa maravilhosa.
Quanto ao BB King, Lisa, a minha empresária é bastante amiga da empresária dele e fez o contato perguntando se o BB estaria interessado em participar. Ele não teria como ir para Memphis, então nós enviamos a faixa para Las Vegas onde ele mora para que gravasse de lá. Meu co-produdor, Scott Bomar, viajou para acompanhar tudo. Quando ele me tocou os resultados eu comecei a rir e depois a chorar, por achar aquilo tudo inacreditável.
Como as canções foram escolhidas? Todas eram velhas favoritas?
Eu escolhi músicas que contassem histórias, que fossem edificantes. Eu passei por maus bocados tentando selecionar apenas 11 faixas pois existem inúmeros blues sensacionais.
E os shows? Eles serão baseados nesse disco?
Eu queria que essa turnê fosse baseada nesse álbum. Nos últimos dez anos eu basicamente fiz shows de grandes sucessos colocando algumas músicas do disco que estava divulgando no momento. Então dessa vez o show vai ser realmente em cima do "Memphis Blues". Mas é claro que eu irei cantar vários dos meus hits também. A banda que está me acompanhando nessa tour é composta por alguns dos maiores músicos de blues de todos os tempos. Esse pessoal tocou com todo mundo do (produtor) Willie Mitchell ao BB King, do Booker T. & the M.G.'s ao Isaac Hayes e a lista vai embora. Eu queria que a turnê fosse tão focada e "blueseira" quanto possível e isso envolvia ter a banda certa na estrada comigo. Então nós tivemos que criar alguns arranjos para os hits pois sei que as pessoas que vêm aos meus shows querem ouvi-los também. Nós tocamos músicas do "Memphis Blues" e depois fazemos os sucessos. A recepção está sendo muito boa. Minha empresária disse que estou fazendo alguns dos melhores shows da minha carreira (eu nunca leio as resenhas) e todas as apresentações estão esgotando. Então imagino que as pessoas estejam curtindo. Eu espero que o (saxofonista brasileiro)Leo Gandelman apareça em alguns dos shows também (Gandelman toca em I Don't Want To Cry uma faixa do disco exclusiva para a América Latina).
Quais as suas lembranças de quando tocou aqui pela primeira vez em 1989?
Eu me senti tão bem recebida e fiquei maravilhada em ver como as pessoas eram lindas. Para todo lugar que olha você vê pessoas maravilhosas. Todas muito boas e generosas além de terem uma comida e música fabulosas. Eu me senti muito bem-vinda quando fui pela primeira vez para aí e me senti da mesma forma em todas vezes que voltei.
Voltando bastante no tempo, é verdade que antes de estourar com "She's So Unusual" você estava cantando em um restaurante?
Eu tive uma série de empregos bizarros antes do "She's So Unusual" sair. Trabalhei em uma fábrica, no joquei club exercitando e levando os cavalos para passear. Também perfurei orelhas e cantei em um piano bar japonês.
Quando o "She's So Unusual" estava sendo gravado havia um sentimento de que ele iria fazer todo aquele sucesso?
Eu me diverti muito gravando o disco. Nós todos sentíamos fortemente que algo especial estava sendo feito, mas não pensávamos em quantos hits iríamos ter. Tudo só parecia bem e estávamos muito animados.
E como foi para você quando "Girls Just Wanna Have Fun" começou a tocar sem parar?
Para ser sincera eu me senti vingada. Eu ouvi tantas vezes e de tantas pessoas que eu jamais iria conseguir vencer, que não era boa o bastante, que era muito estranha... então quando eu tive aquele primeiro hit foi tipo "SIM!".
E depois mais e mais faixas do disco foram estourando. Deve ter sido louco.
...foi louco e maravilhoso.
Você ficou nervosa quando veio a hora de lançar o sucessor de tamanho sucesso?
Sim, porque a gravadora bota muita pressão em cima já que você rendeu muito dinheiro para eles. O primeiro disco você grava quase sem nenhuma interferência. Aí chega no segundo e todo mundo chega pra dar pitaco. Então esse processo deixou as gravações meio estressantes, mas eu não estava estressada porque tinha muita coisa que gostaria falar.
Como você enxerga o (segundo disco) "True Colors" hoje em dia?
Eu tenho muito orgulho dele.
Dos anos 90 em diante você lançou menos discos e pareceu não querer mais ficar cercada por toda a loucura dos megafamosos. Você realmente se cansou de tudo aquilo ou foi o público e o mercado que mudaram?
Eu não fiz discos para não serem comerciais. É claro que eu gostaria que todos tivessem vendido milhões de cópias, mas não foi por isso que os gravei. Eu sempre tentei me manter fiel a mim mesmo enquanto artista esperando que meus fãs fossem gostar do resultado.
Para encerrar o que os brasileiros podem esperar da sua turnê pelo país?
Muita diversão, ótima música e uma grande celebração.
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