Provavelmente feita em fins dos anos 80, começo dos 90.
GW: Como essa formação [do Purple] difere das anteriores ?
RB:Musicalmente eu diria que o cantor [joe Lyn turner] não bebe tanto quanto o anterior [ian Gillan] (risos) Mas falando sério, quanto mais eu fico velho mais eu quero ouvir melodias. Nós realmente trabalhamos duro para construir boas melodias e progressões interessantes. É isso que me excita agora.
(...)
GW: Quando compondo ou produzindo vc trabalha seus solos antes ?
RB: Eu nunca planejo meus solos. Tudo que eu faço é totalmente espontâneo. Se alguém me diz que ficou legal e pede para mim tocar igual eu não consigo. O único solo que toco de memória é Higway star. eu gosto muito daquela descida cromática.
(...)
GW: vc já tentou usar uma alavanca tipo Floyd rose ?
RB: Não. eu não uso mais alavanca, ficou muito vulgar.
(...)
GW: entre Fireball e Machine Head sua guitarra ficou mais funk e mais blues. Hendrix teve algo a ver com isso ?
RB: eu fiquei impressionado com Hendrix. Não tanto pela sua guitarra mas pela sua atitude. Ele não era um grande guitarrista mas todo o resto nele era brilhante. Até a maneira como ele caminhava era brilhante. Mas sua maneira de tocar era um pouco esquisita. Hendrix me inspirou mas eu estava mais ligado em Wes Montgomery. Naquela época eu estava ligado nos Allman Brothers também.
GW: O que vc pensa de Stevie Ray Vaughan ?
RB: eu sabia que voces iam perguntar isso. Ele morreu tragicamente mas eu fico supreso de como as pessoas pensam que ele era um grande guitarrista quando existem pessoas como Buddy guy, Albert Collins, Peter Green, Mick taylor e Johnny Winter que é um dos melhores blueseiros do mundo. Ele tem pouco reconhecimento. O vibrato dele é incrível. SRV era muito INTENSO e acho que era isso que atraía a atenção das pessoas. Como guitarrista ele não fez nada de extraordinário...
(...)
GW: As suas partes ritmicas nem sempre são tocadas com palheta...
RB: É porque eu sou preguiçoso. É igual ao jeff Beck: quando ele não acha uma palheta ele toca com os dedos. Sabe como é. Vc está vendo Tv e não acha uma palheta aí toca com os dedos. Até o riff de Smoke on the water as pessoas tocam com palhetadas para baixo e fica muito diferente. Vc toca a tonica antes da quinta.
GW: Por que vc acha que Smoke on the water dura tanto tempo ? parece o equivalente do rock a 5a de bethoveen...
RB: Simplicidade é a resposta. Vc vai ouvir a turma tocando isso nas lojas de guitarra. Eu nunca tive coragem para compor até eu ouvir I can't explain e My generation [do The Who]. Aqueles riffs eram tão quadradinhos que eu pensei, se Pete pode fazer isso eu também posso !
GW: O que vc achou quando Tommy Bolin tomou o seu lugar no Purple ?
RB: Eu ouvi ele tocando com o Billy Cobham [baterista da Mahavishnu Orchestra] em Spectrum [disco que lançou o movimento jazz rock] e pensei: quem é esse cara ??? Então eu vi ele na tv e ele tinha uma aparência incrível parecia Elvis Presley. Eu soube que ele iria ser grande. Quando eu fiquei sabendo que o Purple contratou ele achei que ia ser ótimo. Ele era muito humilde. Eu me lembro que quando ele me convidou para ir na casa dele para ver sua guitarra. Um dia eu fui. Eu entrei e procurei por ele mas não tinha ninguém, não tinha mobília, nada... Eu esperei por 10 minutos aí ele apareceu. Ele mostrou a guitarra e tinha toneladas de ferrugem nas cordas, parecia que ele não trocava há uns 4 anos. Eu perguntei qual tinha sido a última vez que ele trocou e ele disse muito sério: vc acha que eu preciso trocar elas ???
GW: quando vc sai do Purple vc tomou uma direção mais clássica com o Raibow
RB: Eu nunca sei o que eu quero ser. Eu acho o blues muito limitado. eu sempre pensei, com todo respeito ao BB King, que vc não pode tocar apenas 4 notas. Já no clássico vc tem que ter muita disciplina. Eu estou sempre entre os dois, na terra de ninguém musical.
GW: o que vc acha do Malmsteen. Ele frequentemente cita vc como influência...
RB: Ele é sempre muito simpático comigo e eu me dou muito bem com ele. As vezes eu não entendo ele, o que ele toca, as roupas que ele usa. Ele é um pouco espalhafatoso. Normalmente vc diria: esse cara é um idiota, mas quando vc ouve ele vc vê que ele não é nada disso. Ele precisa ficar mais calmo. Ele não é Paganini, como ele acha que é. O dia que ele arrebentar todas as cordas, menos uma, e tocar a mesma coisa nessa última corda aí ele vai conseguir me impressionar. em 3 ou 4 anos nós vamos ouvir grandes composições dele [não foi isso que aconteceu, Ritchie...].
GW: o que vc acha do [two hands] tapping ?
RB: Graças a Deus voces perguntaram isso ! A 1a pessoa q eu vi fazendo isso foi Harvey Mandel [guitarrista virtuoso dos anos 60/70, dizem que foi convidado a entrar nos Stones, sumiu...], em um lugar chamado o Whisky a go-go em 1968. Eu pensei que diabo ele está fazendo ? Foi engraçado. Jim Morrison estava lá e saiu carregado de bêbado... Hendrix também estava lá. Todos estávamos bêbados. Então Harvey começou e todo mundo disse - o que é isso ? Até pararam de dançar. Obviamente Van Halen deve ter pego algo disso.
GW: O que vc pensa dele ? [EVH]
RB: Depende do meu humor. Ele é talvez o guitarrista mais influente dos últimos 15 anos. (...) Obviamente ele fez alguma coisa. Ele é um grande guitarrista mas eu me impressiono mais com o seu trabalho de compositor e nos teclados. Ele será o próximo Cole Porter.
GW: Como vc se sente como um herói da guitarra ?
RB: É divertido me ver assim porque a 1a vez que eu vim para os EUA eu pensei "para que vir aos EUA onde existem aqueles fantásticos guitarristas" Eu admirava pessoas como Jimmy Bryant e Speed West [músicos country]. Quando eu tinha 13 anos eu não podia acreditar como alguém podia ser tão bom e pensei que o dia que eu fosse aos EUA seria massacrado. Tudo mudou quando "Hush" virou sucesso. Os americanos chegavam até mim e diziam "vc toca muito bem" e eu então dizia "como vcs podem dizer isso quanto vcs tem aqueles fantásticos caras em Nashville que são muito melhores que eu ?" (...) Jeff Beck me disse que uma vez estava gravando em Nashville e um faxineiro do estúdio pediu a guitarra dele emprestada e deslumbrou Jeff. Ele caiu fora depois disso. Graças a Deus esses fantásticos guitarristas não saem de Nashville...
GW: Seu som mudou ? O que acha dos efeitos modernos ?
RB: eu não me coloco no mesmo nível do Jeff Beck mas me identifico com ele quando ele diz que prefere ficar mexendo na mecanica dos seus carros [Jeff constroi Hot rods] do que tocar guitarra. Eu aprecio outras coisas na vida [RB é um milionário...] Talves se eu tivesse 20 anos prestasse atenção nos novos equipamentos, hoje só quero plugar uma guitarra em um amplificador alto e pronto (...)
GW: o que o futuro reserva para vc ?
RB: estou muito ligado em música renascentista, mas eu ainda curto o hard rock - mas só se for algo sofisticado com algo sólido pro trás - Eu não quero entrar no palco e parecer um tolo, porque vejo muitas bandas fazendo isso hoje. Muito do que se faz hoje é porcaria. Onde estão as bandas progressivas como Jethro Tull, procol harum, cream e Jimi Hendrix experience ? Tenho que prosseguir mas tenho que aguentar isso...
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